A Vale estuda extrair terras raras, ouro e outros minerais de seus rejeitos de mineração, buscando ampliar a circularidade e reduzir resíduos. Focada na demanda por tecnologias verdes, a empresa vê resultados preliminares animadores, embora a viabilidade econômica ainda esteja em fase inicial de avaliação. A mineradora também avança em projetos para recuperar minério de ferro a partir de rejeitos de cobre, como na mina de Salobo, reforçando sua estratégia de gerar valor com coprodutos.
A Vale está estudando a possibilidade de recuperar terras raras, ouro e outros minerais a partir de rejeitos de mineração, em uma iniciativa que busca ampliar o aproveitamento de resíduos e avançar na estratégia de circularidade da companhia, afirmou o vice-presidente executivo técnico da mineradora, Rafael Bittar, nesta quarta-feira.
A companhia já realiza o reaproveitamento de rejeitos para produção de minério de ferro e agora avalia o potencial econômico de outros materiais presentes nesses depósitos.
"A gente tem feito estudos e pesquisas... no Brasil e fora, buscando outros elementos, estudando terras raras, ouro, outros elementos que porventura possam gerar valor nos rejeitos", disse Bittar, a jornalistas.
A busca por terras raras ocorre em meio ao crescente interesse global por esses minerais utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.
Bittar afirmou que os estudos ainda estão em estágio inicial e que a empresa não identificou até o momento projetos com viabilidade econômica comprovada. Ainda assim, ressaltou que os resultados preliminares têm sido animadores.
"A gente está cautelosamente otimista com os resultados que a gente já tem tido até o momento", afirmou.
A Vale também avalia oportunidades para recuperar minério de ferro de rejeitos gerados pela mineração de cobre. Segundo o executivo, a companhia possui um estudo "bem avançado" para produzir minério de ferro a partir dos rejeitos da mina de Salobo, no Pará, um dos principais ativos de cobre da empresa.
"A gente vem avançando no projeto de engenharia para fazer isso, mas ainda está em um estágio inicial", disse.
De acordo com Bittar, a estratégia faz parte da meta da mineradora de reduzir a geração de resíduos e ampliar o aproveitamento de materiais já extraídos.
"A ideia da mineração do futuro é que a gente tenha uma mineração com cada vez menos rejeitos e desenvolva coprodutos e extraia outros minerais a partir dos rejeitos", afirmou.
No ano passado, a Vale produziu mais de 20 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de resíduos de mineração, volume que deve se repetir em 2026, segundo o executivo.