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Unitree dispara em estreia na bolsa de Xangai, um marco para o setor de robótica humanoide da China

19 ago 2026 - 07h15

As ações da Unitree , a fabricante de robôs humanoides mais conhecida da China, dispararam mais de cinco vezes em ‌sua estreia na bolsa de Xangai, em um momento histórico para o setor de robótica do país, que se tornou um campo de batalha fundamental na guerra tecnológica entre a China e os EUA.

A Unitree, que concorre com a Tesla e a Boston Dynamics, de propriedade do Hyundai Motor Group, chamou a atenção mundial por seus robôs que correm, dançam e praticam artes marciais.

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Uma das maiores produtoras mundiais de robôs humanoides e quadrúpedes, a empresa é um símbolo de orgulho para a China, apoiada por empresas influentes, tanto gigantes do setor privado de tecnologia quanto estatais. Além disso, ao contrário da maioria de suas concorrentes, ela é lucrativa, ⁠mesmo que poucos de seus robôs sejam utilizados em aplicações comerciais.

"É uma empresa de primeira linha, e sua singularidade justifica preços mais altos", disse Yan Kai, investidor de ‌capital de risco e sócio da Ivy Capital em Xangai.

"Seu preço é ditado por considerações políticas e econômicas, e não por modelos de avaliação."

Embora não seja a primeira fabricante chinesa de robôs humanoides a abrir o capital, espera-se que sua estreia defina o tom para uma série de concorrentes nacionais que se preparam para ‌entrar no mercado. Isso inclui a divisão de robótica da Chery Automobile, a , cujo diretor de ‌negócios disse à Reuters na quarta-feira que a empresa estava em negociações sobre possíveis locais para a abertura de capital.

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VANTAGEM DE SER O PRIMEIRO

As ⁠ações fecharam a 845 iuanes no STAR Market, mercado voltado para tecnologia, avaliando a empresa em cerca de US$50 bilhões. Embora tenha perdido força após iniciar o dia a 1.100 iuanes, o fechamento ficou 460% acima do preço de IPO de 150,8 iuanes.

Esse aumento supera em muito a alta média de 279% no primeiro dia de negociação para novas listagens na China neste ano até o momento. Também contrasta com a queda de 3% do índice de referência chinês na quarta-feira, com as ações do setor de tecnologia despencando em sintonia com o desempenho de suas contrapartes em todo o mundo.

A estreia coincide com a abertura da Conferência Mundial ‌de Robótica em Pequim, onde centenas de empresas — em sua maioria chinesas — lançarão novos produtos e demonstrarão avanços nos quais o governo aposta para ajudar a compensar a ‌escassez de mão de obra causada pela crise demográfica ⁠da China.

A listagem de grande sucesso da ⁠Unitree aumentará sua vantagem de pioneirismo, ajudando-a a sobreviver em um setor onde a maioria das outras empresas está tendo prejuízo, disse William Xin, presidente da Spring Mountain Pu Jiang ⁠Investment Management.

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"Nesta fase inicial da competição, quem conseguir abrir o capital e ter visibilidade poderá obter ‌os recursos e ter capacidade de resistência", disse ele.

PRODUTOS ‌FUTUROS EXCLUÍDOS DO MERCADO DOS EUA

Enquanto os investidores na China não hesitaram em investir nas ações, outros alertaram que muitas de suas vendas até o momento foram pontuais e que poucos de seus robôs estão sendo utilizados em ambientes comerciais. Muitos de seus produtos são vendidos para instituições de pesquisa e universidades.

Além disso, em julho, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA proibiu a importação de futuros modelos de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no ⁠exterior, incluindo os da Unitree, alegando preocupações com a segurança nacional.

Isso exclui um enorme mercado para a Unitree, que se tornou um exemplo de como a China tem conseguido se expandir em novos setores altamente estratégicos, apesar de alguns produtos terem sido desenvolvidos inicialmente nos Estados Unidos.

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A Unitree baseou os projetos de seus cães-robôs de maior sucesso em inovações financiadas pelas Forças Armadas dos EUA, segundo disseram à Reuters um ex-funcionário da área de tecnologia de defesa dos EUA e três pesquisadores de ponta envolvidos no projeto.

A pesquisa do Exército dos EUA foi publicada abertamente ‌para estimular o progresso na área, uma prática comum, e a Unitree não agiu de forma desonesta ao utilizá-la.

A Unitree não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters.

Em junho, o Pentágono também incluiu a Unitree em uma lista de empresas militares chinesas, classificando-a como "colaboradora da base industrial de defesa chinesa". Essa ⁠designação não chega a ser uma sanção, mas limita o uso futuro da tecnologia da Unitree pelas Forças Armadas dos EUA. A Unitree afirmou que seus robôs são destinados ao uso civil.

MAIS FABRICANTES CHINESES DE ROBÔS NA LISTA

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Cerca de 10% das ações da Unitree foram vendidas na oferta pública inicial (IPO), que arrecadou cerca de US$900 milhões, e o fundador Wang Xingxing, de 36 anos, continua detendo cerca de um quinto da empresa. A estreia na bolsa catapultou sua fortuna pessoal para mais de US$11 bilhões no papel.

A startup também conta com o apoio de algumas das empresas de tecnologia mais influentes da China, incluindo a Tencent , a Alibaba e a DeepSeek, enquanto Wang ocupou um cobiçado lugar na primeira fila em uma cúpula com líderes do setor de tecnologia organizada pelo presidente chinês Xi Jinping no início do ano passado.

Outras empresas chinesas de robótica humanoide que se preparam para abrir o capital incluem a Deep Robotics e a Leju Robotics, que solicitaram listagem nas bolsas da China continental, bem como a Mech-Mind Robotics, a X Square Robot e a AgiBot, que optaram por buscar listagem em Hong Kong.

Esses planos surgem em meio a uma ampla onda de aberturas de capital na China continental, impulsionada por um mercado de ações em alta. Os recursos arrecadados com IPOs (ofertas públicas iniciais) totalizaram US$21,3 bilhões este ano, mais de três vezes o valor registrado no mesmo período do ano passado e o nível mais alto em três anos, de acordo com dados da LSEG.

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