Investidores, empresas do setor alimentício e operadores de commodities, motivados pelo temor de que o fenômeno climático El Niño possa prejudicar a produção global de açúcar, impulsionaram um volume recorde de posições em aberto em contratos de açúcar na semana passada, informou a Intercontinental Exchange nesta quarta-feira.
A ICE informou que a posição aberta — o número de contratos em aberto — nos futuros de açúcar bruto e de açúcar refinado atingiu 2,3 milhões de contratos na sexta-feira, superando o recorde anterior, registrado em fevereiro de 2010.
"Os equilíbrios entre oferta e demanda estão mudando; a previsão de um El Niño forte até janeiro de 2027 está pesando sobre as perspectivas de oferta, e a incerteza em torno de algumas das maiores regiões produtoras do mundo está levando os participantes a se protegerem ao longo da curva", disse Matthew Ryan, diretor sênior de commodities agrícolas da ICE.
O Centro de Previsão Climática dos EUA estima 90% de chance de um El Niño muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027. Ele estimou 69% de chance de um "El Niño histórico", que seria mais forte do que todos os anteriores desde 1950.
As commodities tropicais, incluindo o açúcar de cana, poderiam ficar extremamente expostas a um El Niño forte, que alteraria o padrão de chuvas e aumentaria as temperaturas.
Durante a semana passada, quando o volume de posições em aberto no mercado de açúcar atingiu um recorde, os investidores financeiros se mostraram compradores particularmente agressivos, revertendo a aposta de baixa de longo prazo que mantinham sobre o açúcar bruto.
Os fundos injetaram um valor recorde de US$2,5 bilhões em contratos de açúcar bruto durante o período, informou a Peak Trading Research, empresa de análise de mercado.
As usinas aproveitaram a oportunidade para vender contratos e garantir melhores preços para seu açúcar.
Chuvas de monção abaixo da média na Índia, o segundo maior produtor mundial, podem prejudicar a safra de cana-de-açúcar no país, enquanto especialistas temem que chuvas excessivas possam atrapalhar a última etapa da colheita no Brasil, o maior produtor mundial.