A nova safra de soja do Brasil 2026/27, com plantio começando em meados de setembro, foi estimada em recorde de 181,7 milhões de toneladas, praticamente estável na comparação com o ciclo anterior (181,5 milhões de toneladas), com um crescimento mais lento na área plantada, de acordo com projeção da Hedgepoint Global Markets divulgada nesta quarta-feira a jornalistas.
Em sua primeira projeção para a nova temporada, a consultoria e empresa de serviços financeiros considera que a área colhida deverá somar 49,2 milhões de hectares, ante 48,8 milhões no ciclo passado.
Para o coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Fernando Roque, o crescimento de área deverá reduzir ritmo em relação aos últimos anos devido a margens mais apertadas do setor produtivo, enquanto parte do segmento lida com problemas financeiros, o que é espelhado nos pedidos recordes de recuperação judicial no país.
"Os produtores estão sentindo no bolso", disse Roque.
"Não vai diminuir área, mas ela avançará um pouco menos que em anos anteriores", acrescentou.
O número de safra da Hedgepoint não considera eventuais perdas produtivas, mesmo em um cenário de El Niño, que pode trazer um tempo mais seco ao centro-norte do Brasil.
Roque observou que a projeção de safra da empresa está mais baixa do que apontou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta 186 milhões de toneladas, porque a agência norte-americana considera um aumento de 1,5 milhão de hectares na área plantada.
Para o especialista, falar em crescimento de 1,5 milhão de hectares é algo "otimista", ainda que os preços na bolsa de Chicago tenham tido recuperação baseada na forte demanda para a produção de biocombustíveis e recentes compras da China da oleaginosa norte-americana.
A Hedgepoint considera um recuo na produtividade média para 3,69 toneladas por hectare em 2026/27, contra 3,72 toneladas/ha na temporada 2025/26.
O analista comentou que os mapas meteorológicos apontam chuvas favoráveis em setembro e outubro, os dois primeiros meses de plantio.
"Então não devemos ter, a princípio, problemas de plantio", afirmou.
Roque disse também que o mercado deverá acompanhar como vão se comportar as chuvas mais adiante, lembrando que em 2023/24 o El Niño "derrubou a safra".