Taxas dos DIs mostram volatilidade com noticiário sobre Irã e fecham estáveis

28 mai 2026 - 17h09

Em uma sessão volátil nesta quinta-feira, as taxas dos DIs ‌chegaram a ceder após notícias de que EUA e Irã teriam chegado a um memorando de entendimentos para estender o cessar-fogo por 60 dias, mas depois se reaproximaram da estabilidade na esteira de um desmentido de Teerã.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,83%, em baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,849% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,025%, com alta de ⁠2 pontos-base ante o ajuste de 14,005%.

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As taxas futuras sustentaram ganhos no começo do dia, em meio a uma bateria de dados ‌no Brasil e nos Estados Unidos e às preocupações em torno do conflito no Oriente Médio.

Mas no fim da manhã houve uma melhora generalizada nos mercados, após o site Axios informar que EUA e Irã teriam chegado a um acordo preliminar para ‌estender o cessar-fogo por 60 dias. O acordo, confirmado posteriormente pela Reuters, ainda ‌dependia da aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump.

A possibilidade de um acordo se refletiu na queda dos preços do petróleo ⁠Brent e no recuo dos rendimentos dos Treasuries, impactando a curva de DIs.

Durante a tarde no Brasil, essa pressão baixista se intensificou na curva após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelar a criação de 85.888 vagas formais de emprego em abril, bem abaixo da expectativa de abertura de 230.000 vagas, conforme pesquisa da Reuters com economistas. Foi o pior saldo de empregos para um mês de abril desde 2020, quando foram fechadas 981.342 vagas em meio à pandemia de Covid-19.

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"Nos vértices mais curtos, para ‌2027 e 2028, a queda (das taxas) foi mais concentrada após o número do Caged", comentou durante a tarde o economista-chefe da AZ ‌Quest, André Muller. "Mas foi um movimento pontual. A ⁠trajetória para baixo hoje é ⁠por conta do cenário externo."

Às 14h34 -- logo após a divulgação do Caged -- a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de ⁠13,785%, em baixa de 6 pontos-base. Perto deste horário, o DI para janeiro ‌de 2035 marcou a mínima de 13,970%, ‌em queda de 4 pontos-base.

Até o fim da sessão, no entanto, as taxas dos DIs se reaproximaram da estabilidade, após a agência de notícias iraniana Tasnim afirmar que o memorando com os EUA não havia sido finalizado ou confirmado.

Mesmo com a volatilidade do dia, o mercado seguia convicto de que o Banco Central do Brasil ainda cortará em junho ⁠em 25 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 14,50%. A dúvida é sobre se haverá espaço para mais cortes depois disso, considerando a continuidade da guerra e seus efeitos inflacionários.

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"Hoje a curva precifica um ciclo (de cortes da Selic) bastante curto, se você for pensar em termos históricos, devido a fatores como a inflação bastante pressionada e a taxa de desemprego ainda baixa", disse Muller. "Isso faz com que a curva não precifique um movimento (de cortes) muito ‌além da próxima reunião."

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reiterou pela manhã o desconforto com o fato de as expectativas de inflação para 2028 estarem subindo no Brasil, acrescentando que a instituição buscará atingir a meta inflacionária.

"Hoje ⁠temos uma perturbação relevante", comentou David. "O BC está atento a isso, não vai permitir que isso se transforme em inflação além do horizonte relevante."

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que implica uma taxa máxima de 4,5%.

Nas últimas semanas, dirigentes do BC vêm destacando o desconforto com o fato de as projeções para 2028, em especial, estarem se distanciando do centro da meta. No boletim Focus mais recente, a mediana das projeções dos economistas para a inflação em 2028 estava em 3,65% -- antes do início da guerra a taxa era de 3,50%.

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Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego do país ficou em 5,8% nos três meses até abril -- abaixo dos 6,1% dos três meses até março e dos 6,6% do trimestre até abril de 2025.

Já o Tesouro revelou que o governo central teve um superávit primário de R$25,198 bilhões em abril, acima do superávit de R$18,195 bilhões obtido no mesmo mês de 2025. Economistas consultados pela Reuters esperavam por superávit de R$24,05 bilhões no mês passado.

Às 16h53, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,455%.

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