RIO - O presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que as negociações envolvendo a Raízen continuam ativas para achar uma solução estruturante e de longo prazo para a joint venture que a empresa tem com a Cosan. Segundo ele, não há data fixa para a conclusão do processo, mas que todos os atores têm ciência da urgência do tema.
"A Shell já se comprometeu em colocar R$ 3,5 bilhões na capitalização da Raízen", afirmou Costa, em encontro com jornalistas, na sede da companhia, no Rio de Janeiro. "Nossa expectativa é de que o outro acionista possa contribuir com o mesmo valor."
A Raízen viu sua dívida líquida saltar 43% em um ano, para R$ 55,3 bilhões. No terceiro trimestre da safra 2025/26, a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões, resultado seis vezes pior que o do ano anterior.
Para Costa, a situação da Raízen é o resultado de uma conjuntura de fatores macroeconômicos desfavoráveis, combinada com expansão acelerada em outras linhas de negócio. Isso gerou a necessidade de mudança que a empresa vem passando desde julho de 2024.
"As negociações estão abertas e buscamos a melhor solução condizente com as restrições de cada ator envolvido", disse ele.
Costa falou ainda sobre as rotas de capitalização que estão sendo estudadas. Há a possibilidade de que os negócios da Raízen sejam mantidos como estão e uma outra hipótese é dividir a companhia em duas, deixando o negócio de etanol numa companhia e a distribuição em uma segunda empresa.
Segundo ele, dada a complexidade da busca por uma solução, a preferência da Shell é que a situação seja estabilizada antes de pensar em algum desdobramento dos negócios. "Achamos mais plausível capitalizar integrada e depois dividir etanol e distribuição", diz.