Para escapar da armadilha dos 2% e crescer como outros emergentes, o Brasil precisa investir muito mais do que investiu, desde 2000, em modernização e ampliação da capacidade produtiva. Em 18 anos, nesse período, o valor aplicado em máquinas, equipamentos e construções foi inferior a 18% do Produto Interno Bruto (PIB). Em países com nível comparável de desenvolvimento, essa taxa tem frequentemente superado 20%. A desvantagem brasileira tende a aumentar quando se considera a qualificação da mão de obra de nível médio.
No Brasil, no ano passado, o investimento em meios físicos de produção equivaleu a 16,8% do PIB. Em 2024, havia correspondido a 16,9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No quarto trimestre de 2025, o PIB foi 0,1% maior que no terceiro, mas o investimento material, destinado à chamada formação bruta de capital fixo, diminuiu 3,5%.
Os meios aplicados em educação, isto é, na formação do chamado "capital humano", têm aumentado, mas especialistas cobram maior atenção ao planejamento educacional e à qualidade do ensino. Entidades ligadas ao setor produtivo, como Sesi, Sesc, Senai, Senac e Sebrae, têm contribuído de forma importante para a preparação dos trabalhadores.
Com produção 11,7% maior que a do ano anterior, a agropecuária se manteve como o setor mais dinâmico da economia brasileira, enquanto o conjunto do setor industrial avançou 1,4%. Nas indústrias extrativas, o aumento de produção de 8,6% foi puxado principalmente pelos segmentos de óleo e gás. A construção cresceu 0,5% e a indústria de transformação recuou 0,2%, mantendo a fragilidade exibida na maior parte da última década. Os serviços avançaram, com o crescimento de 1,8% liderado pelas atividades de informação e comunicação (6,5%). O governo sustenta, oficialmente, uma política de modernização industrial, mas seus efeitos ainda são pouco visíveis.
Não há como esperar maior dinamismo na indústria — e, de fato, no conjunto da economia — com uma taxa de investimento produtivo muito inferior à observada em grande parte dos emergentes. Além disso, uma parcela significativa do chamado investimento corresponde a dinheiro controlado por parlamentares federais por meio de emendas orçamentárias.
Não basta destinar dinheiro a aplicações qualificadas como investimentos. O risco de desperdício, por meio de aplicações ineficientes — para citar a hipótese menos grave —, é especialmente preocupante no caso de recursos públicos enviados às bases de políticos federais. Isso também ajuda a entender a mediocridade do crescimento econômico brasileiro. A chamada armadilha dos 2% de crescimento é um produto essencialmente made in Brazil.