A Samarco prevê retomar o posto de 2ª maior exportadora global de pelotas em 2028, ao investir R$ 13,8 bilhões para atingir sua capacidade máxima de até 27 milhões de toneladas anuais. A joint venture da Vale e BHP, que opera hoje com 60% da capacidade após o desastre de Mariana em 2015, mira a crescente demanda por descarbonização industrial na Europa e no Japão para impulsionar suas vendas e expandir futuramente sua competitividade no mercado internacional.
A Samarco prevê reconquistar a posição de segundo maior exportador global de pelotas de minério de ferro a partir de 2028, quando atingirá sua capacidade máxima de produção, e vê forte crescimento da demanda por seus produtos nos próximos anos, disse o presidente da companhia, Rodrigo Vilela, à Reuters nesta terça-feira.
Joint venture da Vale com a BHP, a Samarco opera atualmente com cerca de 60% de sua capacidade produtiva e comercializou 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro em 2025. A própria Vale é a maior exportadora de pelotas.
Para atingir 100% da capacidade instalada a partir de 2028, de 26 milhões a 27 milhões de toneladas por ano de finos e pelotas, a empresa prevê investimentos de R$13,8 bilhões.
Vilela disse que há grande expectativa para o mercado de pelotas, com impulso da transição energética para uma economia de baixo carbono.
Segundo ele, a demanda por pelotas no mercado transoceânico está por volta de 100 milhões a 120 milhões de toneladas por ano e pode crescer para acima de 300 milhões a partir de 2030.
"Os nossos clientes estão investindo em grandes projetos de descarbonização, principalmente na Europa, no Japão, transformando seus alto-fornos em plantas de redução direta, que vão requerer cada vez mais pelotas, que, sem dúvida nenhuma, é o grande vetor para que eles possam descarbonizar", afirmou o executivo, durante participação no congresso de mineração Exposibram.
A Samarco vem retomando sua capacidade produtiva desde dezembro de 2020, após ter ficado anos paralisada devido ao rompimento mortal de barragem em Mariana, em Minas Gerais, em 2015.
Vilela disse que atualmente o foco da empresa é cuidar da reparação pelo rompimento e recuperar sua capacidade produtiva, mas que futuramente poderia buscar expandir sua capacidade de produção.
"É claro que, para além disso, nós temos possibilidade de avançar nas nossas vantagens competitivas", disse o presidente da Samarco, pontuando que a empresa tem modais "extremamente competitivos" do ponto de vista financeiro, social e ambiental e também poderia aumentar a capacidade da mina.
"Muitas dessas vantagens competitivas podem sim ser exploradas no futuro."
Vilela também afirmou que o mercado de pelotas atualmente está com mais demanda do que oferta, diante da paralisação de grandes produtores na região do Golfo Pérsico, inclusive por influência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A empresa também está empenhada em produzir finos de minério de ferro a partir de rejeitos, somando volume de 300 mil toneladas neste ano até agosto. Até 2028, a empresa prevê produzir 2 milhões de toneladas por meio dessa iniciativa, disse o executivo.