Quero pertencer": jornalista cadeirante questiona preconceitos sobre pessoas com deficiência

Jacson Gonçalves, parceiro de Fabio Almeida no Jack Comunica, defende respeito à autonomia e maior representatividade na comunicação

16 out 2026 - 11h10
Resumo
O jornalista cadeirante Jacson Gonçalves, criador do portal Jack Comunica com Fabio Almeida, defende que a inclusão deve ir além da acessibilidade física e garantir o verdadeiro pertencimento social. Ele critica o capacitismo e a tendência de retratar pessoas com deficiência sob a ótica da incapacidade ou do heroísmo exagerado, cobrando respeito à autonomia e à capacidade profissional. A iniciativa reforça a importância da imprensa em combater preconceitos e assegurar representatividade real.
Quero pertencer”: jornalista cadeirante questiona preconceitos sobre pessoas com deficiência
Quero pertencer”: jornalista cadeirante questiona preconceitos sobre pessoas com deficiência
Foto: The Music Journal

"Eu não quero apenas ser incluído. " A frase do jornalista cadeirante Jacson Gonçalves resume uma discussão que vai além da acessibilidade física: a necessidade de garantir que pessoas com deficiência sejam respeitadas e participem efetivamente dos ambientes sociais e profissionais.

Ao lado de Fabio Almeida, Jacson integra o Jack Comunica, portal idealizado em Salvador, na Bahia, que completa sete anos em outubro e tem a inclusão entre os temas de sua trajetória.

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A reflexão também envolve a maneira como a sociedade enxerga as pessoas com deficiência. Em muitas situações, o preconceito aparece em julgamentos sobre suas capacidades, em atitudes de infantilização ou na ideia de que tarefas comuns precisam ser tratadas como demonstrações de heroísmo.

Para Jacson, o reconhecimento deve partir de sua individualidade, de sua atuação profissional e do direito de construir a própria história sem ser reduzido à deficiência.

O direito de ser reconhecido para além da deficiência

O capacitismo é uma forma de preconceito que associa a deficiência à incapacidade. Ele pode aparecer em comportamentos explícitos, mas também em atitudes cotidianas que desconsideram a autonomia de uma pessoa ou presumem que ela não pode exercer determinada atividade.

Jacson questiona a ideia de que pessoas com deficiência precisam ser constantemente apresentadas como exemplos de superação.

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"Eu não quero ser visto como um herói simplesmente por viver a minha vida. Quero ser respeitado como cidadão, como profissional e como ser humano", afirma.

A declaração destaca a importância de reconhecer diferentes dimensões de uma pessoa. Uma deficiência física não resume interesses, conhecimentos, talentos, objetivos ou relações pessoais. Da mesma forma, a participação social não deve depender de uma narrativa de superação para ser valorizada.

A comunicação também influencia a forma de enxergar a inclusão

A maneira como a imprensa apresenta pessoas com deficiência pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre o tema ou reforçar estereótipos. Quando essas pessoas aparecem exclusivamente em reportagens sobre limitações, a representação corre o risco de deixar de lado suas experiências em outras áreas da vida.

É nesse contexto que se insere o trabalho desenvolvido por Jacson Gonçalves e Fabio Almeida no Jack Comunica. A parceria, que completa sete anos em outubro, está relacionada à comunicação e à valorização da inclusão.

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Fabio afirma que a convivência com Jacson ampliou seu entendimento sobre acessibilidade e responsabilidade jornalística.

"Ter Jacson ao meu lado nessa caminhada ampliou minha compreensão sobre inclusão, respeito e acessibilidade. Aprendi que comunicar não é apenas dar visibilidade às histórias, mas também abrir caminhos, romper preconceitos e valorizar as pessoas", relata.

A experiência reforça a importância de incluir pessoas com deficiência em diferentes pautas, seja como profissionais da comunicação, entrevistadas ou fontes especializadas. Cultura, entretenimento, educação, política e mercado de trabalho também fazem parte de suas experiências e interesses.

Presença não é o mesmo que pertencimento

Estar em um ambiente não significa necessariamente ter voz ou participar das decisões. Para que a inclusão seja efetiva, é preciso que existam condições de acessibilidade, respeito às escolhas individuais e oportunidades de participação.

O pertencimento depende de relações em que a pessoa não seja tratada como alguém incapaz de decidir por si mesma. Também exige atenção a comentários, olhares e comportamentos que podem gerar constrangimento ou questionar, sem fundamento, a competência de alguém.

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Essa discussão ganha visibilidade no Dia da Pessoa com Deficiência Física, celebrado em 11 de outubro. A data reforça a importância da acessibilidade e do combate ao capacitismo, mas a construção de uma sociedade inclusiva depende de mudanças que ultrapassam o calendário.

Sete anos de uma trajetória ligada à inclusão

O aniversário do Jack Comunica marca mais uma etapa do projeto idealizado por Fabio Almeida e Jacson Gonçalves. Ao longo dessa trajetória, a parceria também ajuda a colocar em pauta o papel da comunicação na valorização de diferentes experiências.

A mensagem de Jacson sobre pertencimento sintetiza um dos principais desafios da inclusão: garantir que pessoas com deficiência não sejam apenas aceitas nos espaços, mas reconhecidas como participantes legítimas da sociedade.

The Music Journal Brazil
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