A produção industrial no Brasil desacelerou em março, mas ainda marcou o terceiro mês seguido de crescimento, com alta acima do esperado no fechamento do trimestre.
Em março, a indústria teve alta de 0,1% na produção em relação ao mês anterior, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultado melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de queda de 0,2%.
A indústria brasileira iniciou o ano com força, com a produção crescendo 2,1% em janeiro e 0,9% em fevereiro, terminando assim o primeiro trimestre com alta de 1,4% ante os três meses anteriores, quando recuou 0,6%, segundo dados do IBGE.
O setor, no entanto, ainda está 13,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
"Temos que relativizar esse resultado, visto que foi um crescimento bem menor e muito concentrado. Há um sinal de alerta em março com a expansão menor e perto de zero e um crescimento concentrado em poucas atividades", alertou o gerente da pesquisa André Macedo.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção aumentou 4,3%, contra expectativa de alta de 3,5%.
"Ao longo dos próximos meses nossa avaliação é de que o setor deve caminhar para uma tendência mais moderada de crescimento, tendo em vista que segmentos mais dependentes das condições doméstica devem permanecer mais pressionados", avaliou o economista da Suno Research Rafael Perez.
O setor industrial vem buscando se recuperar em meio a uma política monetária ainda restritiva. No final do mês passado, o Banco Central reduziu novamente a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, mas argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente.
"O contexto para indústria segue sendo de juros elevados, mesmo com o começo do processo de queda tem esses efeitos sobre crédito e poder de compra. O que ameniza é o desempenho do mercado de trabalho com mais vagas e renda avançada", disse Macedo.
Entre as 25 atividades pesquisadas, apenas oito tiveram aumento da produção em março, sendo as principais influências positivas coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+2,2%) e produtos químicos (+4,0%).
Destacaram-se também veículos automotores, reboques e carrocerias (+1,1%); metalurgia (+1,2%); e máquinas e equipamentos (+1,0%).
Na outra ponta, exerceram influência negativa principalmente bebidas (-2,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,9%).
Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis aumentou 1,7%, enquanto bens de capital tiveram alta de 0,6%, bens intermediários cresceram 0,5% e bens de consumo semi e não duráveis avançaram 0,4%.
Segundo Macedo, a indústria brasileira não registrou em março efeitos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro e que fechou o Estreito de Ormuz, afetou os preços do petróleo e de outros produtos.
"Não há menções das empresas nos questionários sobre impacto e efeitos da guerra. O resultado tem mais a ver com fatores internos que externos", disse ele, explicando que petróleo, veículos e químicos respondem por cerca de um terço do resultado da pesquisa.