As companhias aéreas reajustaram suas tarifas nove vezes desde 28 de fevereiro, quando teve início a guerra no Oriente Médio — que provocou uma alta de até 100% no preço do combustível de aviação —, de acordo com o presidente da Azul, Abhi Shah. Ao todo, foram oito reajustes de 10% e um de 15%.
"No ano passado, tivemos apenas três aumentos tarifários. Neste ano, foram nove", disse o executivo nesta quinta-feira, 7, em conferência com analistas do mercado financeiro.
Os reajustes, porém, não significam que o preço da passagem aumentou mais de 160% (como seria esperado se eles incidissem um sobre o outro). As empresas elevam suas tarifas em um dia e observam o comportamento da demanda. Se, no dia seguinte, houver uma queda na compra de passagens, elas vão recuando até atingirem um ponto de equilíbrio. Assim, o aumento médio das tarifas desde o começo da guerra é um pouco superior a 20%.
Apesar da alta no preço das passagens, a demanda continua, diz Shah, especialmente no segmento corporativo e nas compras de última hora feitas por agências de viagem. As tarifas médias reservadas da companhia estão 30% acima do registrado no mesmo período do ano passado, ainda segundo o executivo.
Ainda que as reservas estejam crescendo, a Azul reduziu sua oferta de capacidade diante do cenário adverso para o setor. No primeiro trimestre deste ano, houve uma queda de 2,7% no ASK (indicador usado pela indústria para mensurar assentos-quilômetros oferecidos).
A projeção inicial da empresa era que a oferta crescesse 1% neste ano. Hoje, porém, um recuo está no radar. "Aquele crescimento de cerca de 1% previsto para o ano muito provavelmente agora será negativo", disse Shah.
Sobre o crédito de até R$ 1 bilhão para as aéreas que deverá ser oferecido pelo governo, o diretor financeiro da Azul, Antonio Carlos Garcia, afirmou que a companhia analisa linhas do setor privado e público. "Estamos avaliando as melhores opções para a Azul obter esses recursos, seja do governo ou de bancos privados."
Resultado do primeiro trimestre
A Azul registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 44,4 milhões no primeiro trimestre de 2026. A cifra representa uma melhora de 97,6% em relação ao prejuízo de R$ 1,8 bilhão reportado em igual período de 2025. Esse é o primeiro balanço divulgado pela companhia após a saída do Chapter 11, equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos, em fevereiro.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia cresceu 22,6%, atingindo R$ 1,69 bilhão - recorde para um primeiro trimestre, segundo a Azul. A margem Ebitda ficou em 31,1%, avanço de 5,4 pontos porcentuais.