A Anfavea elevou as projeções para o setor automotivo em 2026, prevendo alta de 15,2% nas vendas internas, que devem atingir quase 3,1 milhões de unidades — melhor resultado desde 2014 —, impulsionadas por eletrificados e incentivos fiscais. A produção nacional deve subir 6,7%, chegando a 2,82 milhões de veículos. Em contrapartida, as exportações devem cair 17,7%, pressionadas pela crise na Argentina e pelo avanço dos carros chineses na América do Sul e no próprio mercado brasileiro.
A associação brasileira de montadoras de veículos Anfavea reviu para cima estimativas para produção e vendas no mercado interno em 2026, mas cortou a expectativa para exportações, que já era de queda ante o ano passado.
O setor agora trabalha com uma expectativa de que os licenciamentos em 2026 cresçam 15,2%, para 3,099 milhões de veículos, ante estimativa feita no início do ano de expansão de 2,7%, que já fora revisada para 12,1% em junho. Se cumprida a nova previsão, o mercado nacional terá o maior volume de vendas desde 2014, segundo os dados da entidade.
Até setembro, as vendas de veículos novos este ano no país mostram alta de 18,1%, a 2,26 milhões de unidades, dos quais 434 mil são eletrificados. Desse total, 262 mil foram importados.
A expectativa da Anfavea é que as vendas dos veículos leves devem mostrar expansão de 16,4% neste ano, para 2,97 milhões de unidades. Em pesados, porém, a projeção de queda foi ampliada de 6% para 6,5%, para 128,5 mil unidades de caminhões e ônibus, ante 2025.
"O crescimento do mercado brasileiro em 2026 tem sido derivado dos eletrificados e do programa Carro Sustentável (do governo federal)", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a jornalistas.
Segundo dados da entidade, o programa que dá incentivos tributários para a venda de alguns modelos, foi responsável pelo emplacamento de 374 mil veículos este ano até setembro.
PRODUÇÃO E EXPORTAÇÕES
A Anfavea agora espera que a produção de veículos no Brasil este ano cresça 6,7%, para 2,82 milhões de unidades -- o melhor resultado desde 2019.
Porém, a entidade afirma que esse volume é "distante do potencial proporcionado pela demanda interna" e que é pressionado por queda nas exportações.
A entidade espera que as vendas externas de veículos do Brasil este ano devem encolher 17,7%, para 435 mil unidades, ante uma expectativa de junho de queda de 12,8%, como um resultado de "retração do mercado argentino e da maior presença de veículos chineses nos países da América do Sul, principais destinos dos produtos brasileiros".
"Sem dúvida, em 2027, um dos trabalhos da Anfavea terá que ser acesso a mercados, com novos acordos (comerciais), recuperação de acordos que já tínhamos, numa ação muito mais ativa de comércio exterior", disse Calvet.
Segundo os dados da Anfavea, as exportações do Brasil para a Argentina no acumulado do ano até o mês passado caíram 37,7% sobre o mesmo período de 2025, embora o mercado vizinho tenha encolhido 13%.
As vendas para o México, enquanto isso, caíram 3,8%, mas o mercado mexicano cresceu no período 5%, disse Calvet.
Enquanto isso, a China elevou as vendas ao Brasil em 106,4%, para 254,9 mil veículos no acumulado deste ano até setembro, de um total de 464 mil importados no total pelo país no período, uma expansão de 30,4%.
SETEMBRO
A indústria de veículos no Brasil teve queda de 1,1% na produção em setembro ante agosto, enquanto as vendas de novos subiram 2,3%.
Na comparação anual, a produção do setor em setembro cresceu 10,2%, a 268,3 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, acumulando no ano até o mês passado expansão de 8,7%, para 2,17 milhões de veículos.
Nos licenciamentos, houve alta de 15,7% na comparação sobre setembro do ano passado, para 281,4 mil veículos. Com isso, no ano, o setor mostra expansão nas vendas de veículos novos de 18,1%, para 2,26 milhões unidades.
As exportações das montadoras em setembro caíram 24,2% na comparação anual, para 39,8 mil veículos. Enquanto isso, as importações dispararam 34,9%, para 57.196 unidades.