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Justiça

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Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram cobranças de Roberto Justus por aporte, diz site

Conteúdo, revelado pelo Poder360, mostra extensa negociação entre o banqueiro e o empresário envolvendo a empresa SteelCorp

2 out 2026 - 15h57
(atualizado às 16h06)
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Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mostram cobranças do empresário Roberto Justus por aporte
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mostram cobranças do empresário Roberto Justus por aporte
Foto: Wikicommons e Reprodução/Redes Sociais

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelaram diálogos em que ele é cobrado pelo empresário Roberto Justus, que chegou a dizer que poderia pedir a recuperação judicial da SteelCorp, empresa do ramo da construção civil industrializada, caso um aporte feito pelo banqueiro continuasse registrado como dívida no balanço da companhia. A informação é do portal Poder360.

A reportagem aponta que, com base nas mensagens analisadas não há ilegalidade na operação nem na possibilidade de a empresa recorrer à recuperação judicial, mecanismo previsto em lei para companhias em crise econômico-financeira. No entanto, o conteúdo revela a preocupação de Justus com os efeitos da demora na conversão do investimento em participação societária sobre as contas da empresa. 

Um dos destaques entre o conteúdo extraído é datado de 1º de setembro de 2025, quando Justus reclamou da falta de retornos de Vorcaro e da demora para a conclusão da operação financeira. 

"Nunca na minha vida fiquei tão decepcionado com alguém. O que custa me receber por 1 horinha para resolvermos esse assunto? Entendo as suas prioridades e preocupações mas preciso tratar da sobreviência de minha empresa. Se essa dívida continuar em meu balanço vou ter que pedir uma RJ (recuperação judicial) e daí você vai perder todo o investimento. Vale a pena? Poxa....", diz a mensagem atribuída a Justus. 

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Na sequência, Vorcaro critica a mensagem do empresário e justifica-se: "Desculpe Roberto, mas receber essa mensagem agora é de uma falta de empatia de sua parte absurda. Mas tudo bem, cada um tem suas decepções. Eu estive presente e cumpri a duras penas tudo que combinamos dos aportes", afirma o banqueiro. 

"Com relação a conversão da dívida, estou tentando realizar com nosso amigo, desde o dia que falamos. Existem entraves técnicos e jurídicos que não possibilitaram a conclusão. E o momento de todos não está ajudando. Mas te garanto que será realizado. Tentarei amanhã pessoalmente com a gestora novamente e te dou retorno", acrescenta Vorcaro. 

A apuração mostrou, no entanto, que o impasse entre Justus e Vorcaro se dava desde, pelo menos, o fim de 2024. Em 21 de dezembro daquele ano, o empresário disse que tentava falar com o banqueiro e que o aporte ainda não havia sido feito, e afirmou que também que um contrato havia sido assinado em agosto, mas que chegariam ao fim do ano sem que o investimento fosse concretizado. 

"Em 40 anos como empresário, nunca tive tantas dificuldades em falar ou ter retorno como tenho com você", disse Justus, que acrescentou dizendo que havia acreditado na parceria e, por isso, deixado de seguir 'outros caminhos'. 

No mês seguinte, em janeiro de 2025, as preocupações do empresário passaram a abranger, também, o caixa da empresa. Na ocasião, Justus afirmou que havia contraído uma dívida de curto prazo que precisava ser devolvida 'com urgência', e voltou a pedir que Vorcaro antecipasse o investimento. 

As cobranças continuaram nos meses seguintes e, em abril, Justus afirmou que havia assumido compromissos ao confiar no contrato com Vorcaro, que o não cumprimento do investimento provocava 'grande sofrimento'. 

Além de afirmar que o investimento em participação societária ainda não tinha sido concluído, Justus apontou que havia uma questão envolvendo os primeiros R$ 80 milhões em aporte. O empresário diz que o prejuízo estava sendo 'imenso' e que não gostaria de novos empréstimos e nem de prolongar o processo. 

Nas mensagens, o empresário também cobrou a demora e a dificuldade em conseguir contato com o banqueiro. Uma das mensagens data de julho de 2025, quando Justus diz que tentava falar com Vorcaro havia dias e afirma estar desanimado com a relação. 

Em 6 de agosto, voltou a reclamar: "Você sumiu de novo como sempre. Ainda não foi resolvida a capitalização conforme você prometeu na nossa última conversa. Isso me atrapalha demais. Surreal o que estamos passando". Dias depois, criticou novamente a falta de retorno e afirmou que teria de se movimentar para evitar um prejuízo maior à companhia. 

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Recompra por R$ 130 milhões

Após conversarem sobre a situação financeira da SteelCorp, Justus e Vorcaro passaram a discurtir uma solução para o investimento. Em conversas de 2 de setembro, a dupla tratou de um modelo para a recompra da participação. Vorcaro sugeriu pagamentos em até 60 parcelas, com 'cash sweep', mecanismo financeiro que usa o excedente de uma conta para abater dívidas automaticamente ou realizar investimentos de curto prazo. 

Justus questionou se o próprio banqueiro era cotista do fundo envolvido na operação. Vorcaro confirmou e acrescentou: 'Mas para ser um true sale tem que ter um fluxo'. O banqueiro ainda disse que aceitava ajudar, mas que seria necessário estabelecer um fluxo para a recompra, e que não pretendia ganhar juros na operação. 

Já em 4 de setembro, Justus enviou uma proposta, na qual se dispôs a pagar R$ 130 milhões pela participação, em um prazo de 5 anos. Na proposta, estavam previstos pagamentos anuais, antecipações relacionadas a dividendos por meio de 'cash sweep' e uma parcela final de R$ 65 milhões, com correção sugerida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

Outras mensagens indicaram que o empresário e o banqueiro continuaram com a negociação das condições. Justus afirmou que havia R$ 143 milhões em notas comerciais e propôs convertê-las em uma participação de 30% para, no mesmo ato, recomprar as cotas por R$ 130 milhões. 

De maneira isolada, as mensagens mostram a negociação e o acordo sobre termos da operação, mas são insuficientes para estabelecer que a recompra tenha sido efetivamente concluída. 

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Novas reclamações sobre dificuldade financeira

Justus voltou a falar sobre a condição financeira da SteelCorp em 11 de setembro. Na ocasião, o empresário mandou uma longa mensagem a Vorcaro e disse que, naquele momento, a companhia era 'incapaz de honrar compromissos financeiros passados ou de obter novos financiamentos'. 

Justus disse, ainda, que o passivo elevado e um faturamento que ainda não havia sido concretizado deixavam a empresa em situação de 'patrimônio negativo' e dificultavam sua participação em concorrências: "O problema é sobreviver até lá". 

O empresário acrescentou que teria de fazer um aporte de capital porque não conseguia e não queria aumentar o endividamento da companhia, e que preparava um 'roadshow' para levantar recursos.. 

Complementou dizendo que, apesar das dificuldades, pretendia manter o pagamento dos R$ 130 milhões negociados com Vorcaro, mas pediu a inclusão de uma condição para a última parcela, de R$ 65 milhões. 

Vorcaro respondeu afirmando que não pretendia deixar o negócio e que havia investido por acreditar no empresário: "Caro Roberto, eu tenho um carinho enorme por você e uma admiração maior que você possa imaginar. Entrei nesse negócio tão somente por você". 

Afirmou, ainda, que aceitava sair 'sem qualquer prêmio' e em longo prazo para ajudar, mas que não faria sentido não ter ao menos o valor aportado garantido ao longo do tempo. 

Em nota à reportagem, a assessoria de Roberto Justus disse que a menção à recuperação judicial foi usada como 'estratégia para resolver um impasse, e não como um anúncio de que um pedido seria apresentado'. Veja a nota na íntegra abaixo: 

“Roberto Justus negociou um investimento na SteelCorp em 2024, por meio de uma dívida que poderia ser convertida em ações. No entanto, as negociações se arrastaram até 2025, quando Justus decidiu encerrar o acordo. As mensagens divulgadas mostram que Justus estava negociando a conversão do investimento e a recompra da participação resultante. Contudo, a conversão não foi realizada, e Daniel Vorcaro não se tornou sócio da SteelCorp. A menção à recuperação judicial foi usada como uma estratégia para resolver o impasse, e não como um anúncio de que um pedido seria apresentado. As conversas mostram que o objetivo era encerrar qualquer relação empresarial, o que acabou acontecendo, e preservar a SteelCorp. Vale ressaltar que Roberto Justus sentia-se desconfortável durante o processo e resolveu o tema antes da liquidação do banco e da posterior prisão de Vorcaro”.

A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o assunto. O espaço segue aberto para posicionamento. 

Fonte: Portal Terra
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