Daniella Marques diz que governo Flávio Bolsonaro acabaria com 'split payment' da reforma tributária

Coordenadora econômica da campanha do candidato do PL teceu fortes críticas à reforma aprovada no governo Lula, tanto em relação à demora para a definição das alíquotas quanto ao impacto que as alterações devem gerar na economia

7 out 2026 - 16h38
Resumo
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que um eventual governo dele extinguirá o "split payment" da reforma tributária. O mecanismo, que recolhe impostos no ato da compra e deve vigorar a partir de 2027, foi criticado por asfixiar o capital de giro de pequenos negócios. Além de apontar riscos de inflação e insegurança jurídica na reforma atual, ela revelou que uma equipe técnica já estuda alternativas para apresentar após as eleições.

BRASÍLIA - A ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, disse nesta terça-feira, 6, que o governo dele, caso eleito, pretende acabar com o split payment, recurso da reforma tributária que recolhe impostos automaticamente no momento da compra de um serviço ou produto.

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"Vou homenagear aqui Carlos Bolsonaro e Adolfo Sachsida que já pautaram esse governo e foram muito vocais, foram implacáveis contra o split payment, que simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado", disse Daniella Marques em entrevista ao canal do YouTube do jornalista Claudio Dantas. Quando questionada diretamente se a equipe econômica pretende acabar com split payment, Marques respondeu: "Claro que sim".

Daniella Marques diz que governo Flávio Bolsonaro acabaria com split payment da reforma tributária
Daniella Marques diz que governo Flávio Bolsonaro acabaria com split payment da reforma tributária
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Daniella Marques teceu fortes críticas à reforma tributária dos impostos sobre o consumo, aprovada no governo Lula, tanto em relação à demora para a definição das alíquotas quanto ao impacto que as alterações devem gerar na economia.

Segundo ela, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) - novo imposto de Estados e municípios - e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) - novo imposto federal -, somados, serão o maior imposto de valor agregado (IVA) do mundo e tendem a gerar forte inflação no terceiro setor.

A ex-presidente da Caixa disse ainda que há um grupo técnico discutindo alternativas à reforma tributária para apresentar soluções depois das eleições. "É um absurdo essa insegurança jurídica, porque o cara tem de dizer se adere ou se não adere ao arcabouço e eles não contam quanto é a alíquota, vão deixar para depois."

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O que é o 'split payment'?

A reforma tributária prevê a criação de um mecanismo chamado split payment, um recurso tecnológico que vai dividir, no ato da compra, o imposto a ser pago e encaminhado ao governo e o valor líquido (que vai sobrar) que será retido pelo vendedor.

"O split payment é o procedimento padronizado de segregação e recolhimento do CBS/IBS no momento da liquidação financeira. A cada transação realizada com split, o valor do tributo é separado do valor líquido destinado ao recebedor e posteriormente repassado à Receita Federal do Brasil (caso da CBS) e ao Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (caso do IBS)", diz o manual do split payment publicado pela Receita Federal.

O sistema começará a vigorar a partir de 2027 para operações entre empresas e de forma voluntária. O nó, nesse caso, é que essa tecnologia será desenvolvida pelo setor financeiro, que ainda não conseguiu chegar a um acordo com o governo sobre o quanto receberá de ressarcimento pelo desenvolvimento do produto e qual será a remuneração pela execução do serviço.

Uma primeira proposta feita pelo setor financeiro, de cobrar R$ 1,70 por transação, foi considerada fora da realidade por integrantes do governo. Um grupo de trabalho foi criado em maio deste ano, com integrantes do Ministério da Fazenda, da Receita Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), além da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF).

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Procurada pelo Estadão, a Zetta, entidade que representa as maiores fintechs do País, explicou que o cronograma de implementação do sistema ainda depende de definições do Comitê Gestor e da Receita Federal.

"O cronograma de implementação do split payment está em processo de definição, à espera de que o Comitê Gestor do IBS, a Receita Federal, CGU e o Ministério da Fazenda concluam a proposta", disse a entidade. "Entre os pontos em aberto estão a remuneração dos prestadores de serviços de pagamento envolvidos na operacionalização do split payment, e a publicação de manuais complementares aos já existentes, como o manual de segurança, importantes para a sustentabilidade do modelo", disse.

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