Petrobras (PETR4): a conta de US$ 2,5 bi que o governo pode ter de pagar

5 jun 2026 - 13h46
Petrobras (PETR4). Foto: Divulgação
Petrobras (PETR4). Foto: Divulgação
Foto: Suno

A Petrobras (PETR4) pode ter cerca de US$ 2,5 bilhões a receber do governo até o fim de junho por causa dos programas de compensação criados para segurar os preços dos combustíveis, segundo relatório do BTG Pactual. Para os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, a estrutura ajuda a preservar os preços realizados da companhia, mas abre uma dúvida importante para o investidor: quando esse dinheiro, de fato, entrará no caixa da estatal?

O ponto é sensível porque a compensação, chamada tecnicamente de subvenção, cria um valor a receber da União. Na prática, a Petrobras vende combustíveis com desconto ou em condições definidas pelo programa, mas passa a ter direito a um reembolso do governo. O risco não está exatamente na existência da compensação, mas no prazo de pagamento.

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Petrobras acumula valores a receber do governo

Segundo o BTG, desde o início do conflito no Oriente Médio, o governo brasileiro adotou uma série de medidas para manter os preços nas bombas mais estáveis, ao mesmo tempo em que buscou preservar a política de preços e a saúde financeira da Petrobras.

O mecanismo escolhido, porém, tem um efeito colateral: aumenta os recebíveis da companhia contra o governo. Recebíveis são valores que uma empresa tem direito a receber, mas que ainda não entraram no caixa.

O banco estima que a Petrobras acumule cerca de US$ 2,5 bilhões em recebíveis relacionados às compensações até o fim de junho, sendo aproximadamente US$ 2,2 bilhões ligados ao diesel e US$ 0,3 bilhão à gasolina.

A preocupação dos investidores, segundo o relatório, está no capital de giro. Se o pagamento atrasar, a Petrobras continua reconhecendo o valor a receber, mas sem o dinheiro em caixa no curto prazo. Isso pode pesar sobre a dinâmica financeira do trimestre e, potencialmente, sobre os dividendos trimestrais.

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Diesel melhora preços realizados, mas prazo preocupa

No diesel, o BTG estima que a subvenção média recebida pela Petrobras no segundo trimestre seja de cerca de R$ 1,04 por litro. Em maio, a compensação média teria ficado em aproximadamente R$ 0,89 por litro, abaixo do valor cheio de R$ 1,12 por litro, por causa da diferença entre os conceitos de preço de referência e preço de comercialização usados pela ANP.

Com a nova MP 1.363, essa diferença deixa de existir, segundo os analistas. Assim, a Petrobras deve passar a receber o valor cheio de R$ 1,12 por litro a partir de junho, além da compensação de R$ 0,35 por litro criada para neutralizar a retomada de PIS/Cofins.

Na gasolina, a companhia passou a contar com uma compensação de R$ 0,44 por litro desde o fim de maio.

Esses valores ajudam a sustentar preços realizados mais altos para a companhia. O BTG calcula preços líquidos efetivos entre US$ 145 e US$ 152 por barril no diesel e de cerca de US$ 97 por barril na gasolina, ambos com spreads positivos, o que cria um pano de fundo favorável para os resultados.

BTG mantém compra, apesar da ressaca da subvenção

Apesar da preocupação com o prazo de pagamento, o BTG não vê a discussão como suficiente para mudar sua visão positiva sobre a ação. O banco manteve recomendação de compra para o ADR da Petrobras, com preço-alvo de US$ 25.

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O preço considerado no relatório era de US$ 18,06, o que implica potencial de valorização de 38,4%. Somando o dividend yield projetado de 10,2%, o retorno total estimado chega a 48,6%.

Para o BTG, o crescimento do EBITDA no trimestre deve mais do que compensar o aumento dos recebíveis, mesmo se o governo não pagar tudo até o fim de junho. O banco também avalia que a estatal pode receber os valores antes do encerramento do mês, o que reduziria a pressão sobre capital de giro.

Ainda assim, o relatório aponta que o caminho para importadores e distribuidores aderirem ao programa segue menos claro. Para esses agentes, ainda faltariam orientações regulatórias mais detalhadas, principalmente sobre o que será considerado "preço abusivo" e sobre um cronograma claro de reembolso.

Para a Petrobras, a leitura do BTG é que a combinação de preços de petróleo ainda favoráveis, produção em bom ritmo, refinarias com alta utilização e compensações elevando preços realizados sustenta a tese positiva. Como resumem Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha no relatório, "continuamos vendo a Petrobras como uma tese de investimento atraente".

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