'PEC Boca de Urna': presidente da Fiesp lamenta aprovação do fim da escala 6x1 sob agenda eleitoral

Ao lado da CNI, a Federação das Indústrias de São Paulo aponta aumento de custo e impacto na inflação com a emenda constitucional aprovada nesta quarta-feira, 14

14 out 2026 - 23h29
(atualizado às 23h31)
Resumo
Fiesp e CNI criticaram a aprovação da PEC que encerra a escala 6x1 e fixa a jornada em 40 horas semanais sem corte salarial. Chamada de "PEC Boca de Urna" pela Fiesp, a medida é vista pelo setor industrial como precipitada e eleitoreira. Segundo a CNI, a mudança trará graves impactos econômicos, projetando perdas de R$ 76,9 bilhões no PIB, além de gerar inflação média de 6,2% para os consumidores, demissões e um aumento de até R$ 267,2 bilhões nos custos de produção nacional.

Entidades da indústria lamentaram a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, sem diminuição do salário. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que a conta será paga por toda a sociedade, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta aumento nos custos de produção e impacto na inflação.

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Em nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Skaf, a Fiesp lembra que sempre defendeu o debate fora do calendário eleitoral, para que a proposta de redução da jornada de trabalho não se transformasse numa "PEC Boca de Urna".

'Decisões açodadas têm um preço alto', diz nota da Fiesp assinada por Paulo Skaf
'Decisões açodadas têm um preço alto', diz nota da Fiesp assinada por Paulo Skaf
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

"É importante relembrar que nenhum país no mundo engessou a escala de trabalho na sua Constituição. Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade", afirma a Fiesp.

A CNI classifica como preocupante a aprovação da PEC e diz que a medida, também considerada um "retrocesso", causará perdas econômicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o País.

"Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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A CNI ressalta ainda, em seu posicionamento, que a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, elevará os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões, resultando em uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 76,9 bilhões.

Os dados da entidade apontam também que os preços para o consumidor terão alta de 6,2% em média, impactando as compras em supermercado, que podem ficar 5,7% mais caras. Os produtos industrializados terão alta média de 6%, sendo que no caso de roupas e calçados o aumento dos preços pode alcançar 6,6%, afirma a CNI.

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