A carteira internacional de petróleo e gás da Equinor voltará a crescer nos próximos anos, já que o grupo norueguês tem como meta um aumento acentuado da produção no exterior até 2030, disse o chefe de operações internacionais da empresa à Reuters.
Após o recente desinvestimento em ativos onshore na Argentina, a Equinor agora produz petróleo e gás em sete países fora da Noruega, contra uma dúzia em 2019.
Embora se espere que a produção doméstica permaneça estável, a Equinor pretende aumentar a produção de petróleo no exterior para mais de 900.000 barris de óleo equivalente por dia (boed) até 2030, versus cerca de 730.000 boed em 2025, um aumento de pelo menos 23%.
"Desinvestimos em ativos mais maduros que estavam começando a declinar... e, apesar de todo o desinvestimento, ainda vemos um crescimento para 900.000 barris", disse Philippe Mathieu.
O crescimento projetado é sustentado pelos projetos Bacalhau e Raia da empresa no Brasil, pelo projeto Sparta da Shell no Golfo do México e pelo aumento dos volumes da Adura, sua joint venture britânica com a Shell.
"Nosso foco principal nos Estados Unidos e no Brasil é fazer o portfólio crescer organicamente", disse Mathieu.
O Bacalhau, que começou a produção em outubro, está avançando para atingir 220.000 barris de petróleo por dia no segundo semestre de 2026. O Raia deve começar a produção em 2028.
A Equinor também está se aproximando de um marco de investimento para Bay du Nord, um dos maiores projetos petrolíferos planejados do Canadá, a 500 km da costa no Atlântico Norte.
"Estamos a poucas semanas do Decision Gate 2... quando começaremos a usar muito dinheiro", disse Mathieu, referindo-se à aprovação do conceito de desenvolvimento.
Os custos do projeto foram reduzidos por meio de um desenvolvimento em fases, inicialmente visando mais de 400 milhões de barris de petróleo, acrescentou ele.
A Equinor retomou as negociações com o governo da Tanzânia sobre seu projeto planejado de GNL, mas a empresa também deve avaliar os riscos políticos após a violência pós-eleitoral do ano passado na nação da África Oriental, disse Mathieu.
Além de 2030, a Equinor está se posicionando para novas explorações no Brasil, Angola e no Golfo dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que avalia novas áreas potenciais, disse Mathieu.
"Não vai ser nada louco, vai ser muito direcionado. São os suspeitos de sempre: Mediterrâneo Oriental, Namíbia", disse Mathieu.