Não dá para esperar que o Estado defina onde vão estar os data centers, diz presidente da Anatel

'Na Anatel, não somos bons em fazer negócio', diz Carlos Baigorri na Futurecom, feira de telecomunicações, nesta terça-feira, 6; 'Não somos empreendedores'

6 out 2026 - 14h51
Resumo
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, defendeu que a localização e a expansão de data centers e da infraestrutura digital no Brasil devem ser guiadas pelo mercado, sem intervenção do Estado no planejamento dos negócios. Durante a Futurecom, ele afirmou que o setor de telecomunicações prospera graças à desregulamentação, à segurança jurídica e à liberdade para investir, citando a rápida expansão da fibra óptica no país como exemplo bem-sucedido dessa autonomia empresarial frente ao excesso de regras.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, afirmou que o governo federal não deve se meter na definição dos data centers que serão implementados no Brasil. Essa escolha deve ficar por conta das empresas, defendeu.

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"Não dá para esperar que tenha um agente do Estado definindo onde vão estar os data centers", afirmou Baigorri. "Não tem esse planejamento aqui. Tudo é business, é mercado. Na Anatel, não somos bons em fazer negócio. Não somos empreendedores, não é esse o nosso know how. Se fizermos um planejamento disso, não vai ficar bom."

O presidente da Anatel deu uma palestra nesta terça-feira, 6, durante a Futurecom, feira de telecomunicações que reúne empresários e autoridades públicas.

Baigorri argumentou que o desenvolvimento da infraestrutura digital - como redes de fibra óptica, cabos submarinos e data centers - deve ter uma regulamentação mínima, dando liberdade para que as empresas façam os investimentos que julgarem necessários. "O mercado tecnológico, com dinâmica acelerada, funciona se tiver boas regras", afirmou, citando a necessidade de segurança institucional e jurídica.

O presidente da Anatel avaliou ainda que as telecomunicações são um exemplo a ser seguido por outros setores. Ele afirmou que há milhares de provedores de banda larga fixa, três grandes operadoras nacionais de redes móveis e novos entrantes no setor de internet por satélite.

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Essa diversidade, disse, garante a qualidade do sinal e uma cobertura ampla no País. "Telecom não é mais um problema no Brasil", disse. "O setor funciona com o mínimo de intervenção do Estado. A intervenção existe, é necessária, mas muito menor que em outros setores."

O que aconteceu na implantação da TV a cabo

Baigorri lembrou que, muitos anos atrás, a Anatel e o Ministério das Comunicações tinham um controle rigoroso do mercado. Isso envolvia até um planejamento para liberação de outorga para implantação de TV a cabo nas cidades. Na sua visão, esse foi um fatores que encareceram a TV a cabo e impediram a sua popularização no País. "Tinha empresário querendo investir, mas não conseguia outorga", relembrou.

Hoje, o conjunto de normas e regras impostos pela Anatel é menor, afirmou, o que abre caminho para as empresas fazerem os investimentos de forma mais ágil. Como exemplo, citou que a banda larga no Brasil trafega por redes de fibra óptica, com mais velocidade de navegação, enquanto na Europa, há lentidão para substituição dos cabos de cobre, pois há regras e obrigações que oneram as empresas locais.

"No Brasil, o cobre vale mais arrancado do solo e derretido, porque as redes de fibra óptica são diversificadas, e ninguém quer explorar o cobre", disse. "No Brasil, o cobre foi recolhido não por desejo do Estado, mas das empresas, que enxergaram aí uma oportunidade de negócio, com melhor serviço."

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