O MDIC reduziu para US$ 84,4 bilhões a projeção do superávit comercial de 2026, devido ao arrefecimento dos preços internacionais, embora o valor ainda represente o segundo maior saldo histórico. As exportações previstas somam recordes US$ 382,5 bilhões contra US$ 298,1 bilhões em importações. Em setembro, o superávit superou expectativas e atingiu US$ 7,741 bilhões, impulsionado pela indústria extrativa, totalizando US$ 62,396 bilhões acumulados no ano, alta de 35% ante 2025.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu nesta terça-feira sua projeção para o superávit da balança comercial brasileira em 2026 a US$84,4 bilhões, contra previsão feita em julho de saldo de US$90,0 bilhões, prevendo ganho menor nas exportações com o arrefecimento de preços internacionais.
Apesar da revisão para baixo, o resultado ainda seria 24% mais forte do que o observado no ano anterior, quando o saldo foi de US$68,1 bilhões, e marcaria o segundo maior saldo da série histórica, atrás apenas do dado de 2023.
Pelos cálculos do MDIC, as exportações devem fechar o ano em US$382,5 bilhões, uma redução de US$11,9 bilhões em relação à estimativa de julho, mas ainda representando um recorde histórico. As importações ficariam em US$298,1 bilhões, um recuo de US$6,3 bilhões sobre a previsão anterior.
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que a projeção feita em julho refletia forte alta dos preços do petróleo e de outros produtos diante da guerra no Irã, o que ampliaria o resultado das exportações. A partir do meio do ano, segundo ele, parte desses preços registrou alguma acomodação, o que reflete na nova projeção.
"Esse movimento arrefeceu e resultou em uma taxa de crescimento (das exportações) ainda significativa, mas um pouco menor do que o modelo estava captando no primeiro semestre", disse.
DADOS DE SETEMBRO
O MDIC apontou que a balança comercial brasileira registrou em setembro um superávit de US$7,741 bilhões, um crescimento de 146% na comparação com o resultado do mesmo mês de 2025 e melhor do que o esperado pelo mercado, que previa em pesquisa da Reuters um saldo positivo de US$7,191 bilhões.
O desempenho do mês é fruto de US$34,418 bilhões em exportações, uma alta de 12,9% na comparação com o mesmo mês de 2025, e US$26,678 bilhões em importações, recuo de 2,4%.
No período, houve aumento das exportações em todos os setores, com destaque para uma alta de 39,8% na indústria extrativa, seguida de crescimentos de 5,3% na indústria de transformação e de 4,8% na agropecuária.
Entre os destaques estão os embarques de óleos brutos de petróleo, com crescimento de 77% no período, de soja, com alta de 12%, e óleos combustíveis de petróleo, com alta de 39%. No sentido contrário, houve redução de quase 31% nas vendas de carne bovina.
Em setembro, as exportações aos Estados Unidos cresceram 32%, apesar da vigência do tarifaço, que atinge 23% da pauta de produtos vendidos, segundo Brandão. Ele ressaltou altas de 524% nas vendas de carne e de 108% nos embarques de café para o país norte-americano, produtos que eram taxados em setembro do ano passado e estão agora isentos de tarifas.
Para a China, houve recuo de 7,6% nas exportações no mês, diante de tarifação das vendas de carne bovina após o atingimento de cota, mas também por uma redução na demanda do país, segundo Brandão, que impactou as vendas de minério de ferro, soja e milho.
Do lado das importações, houve queda mais intensa nas compras bens de capital, um recuo de 30% motivado pela importação de plataforma de petróleo em setembro de 2025, que distorceu a base de comparação com o mês passado.
Houve ainda queda de 2,4% nas importações de bens intermediários, enquanto foram registradas altas de 11,5% em bens de consumo e de 41,2% em combustíveis.
Nos primeiros nove meses do ano, o país acumulou um superávit comercial de US$62,396 bilhões, 35% acima do saldo positivo de US$46,300 bilhões do mesmo período de 2025.