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Montadora chinesa Jetour vê com bons olhos opção por fábrica compartilhada no Brasil, diz diretor

6 ago 2026 - 05h34

A montadora chinesa Jetour avalia opções para ter uma linha de ‌produção no Brasil, incluindo a possibilidade de seguir o exemplo de outras marcas do país asiático que passaram a dividir espaço ocioso de instalações de grupos já estabelecidos no país, afirmou o diretor de marketing para o Brasil, Henrique Sampaio, em entrevista à Reuters.

"É uma estratégia inteligente, boa para ambos os lados, principalmente se não forem competidores no mesmo segmento", disse o executivo ao ser questionado sobre o movimento de rivais chinesas da Jetour que estão ⁠chegando ao Brasil por meio de acordos de produção em fábricas de outras montadoras já estabelecidas no país.

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Parte do grupo ‌automotivo chinês Chery, que tem parceria com a brasileira Caoa no Brasil, a Jetour começou a vender veículos no país em março deste ano e já conta com cerca de 60 concessionários e planos de chegar a ‌100 até o final de 2026.

"Sim, é uma possibilidade fazer associação com ‌outra marca para a produção" no Brasil, disse Sampaio, lembrando que na África do Sul, um importante ⁠mercado de exportação para a marca Jetour tem parceria com a japonesa Nissan.

Questionado se a Jetour está negociando com a prefeitura de Jacareí (SP) para ocupar uma fábrica de veículos ociosa da Caoa Chery, parada desde 2022, Sampaio não se manifestou.

A Jetour está programando investimento de R$400 milhões no Brasil até o final de 2027, cifra que não inclui produção local, disse Sampaio.

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O executivo afirmou que assim como suas rivais chinesas, a Jetour "está com o pé no acelerador ‌quase furando o chão" para se estabelecer no Brasil e se fixar na cabeça dos consumidores, que cada vez mais ‌encontram opções de carros elétricos chineses, em ⁠sua maioria importados, recheados de ⁠recursos e preços atraentes.

No Brasil, além das marcas presentes há décadas no país, a Jetour disputa mercado com os grupos automotivos ⁠chineses BYD e GWM, que montaram fábricas próprias que antes eram ‌ocupadas por outras montadoras; Geely, que ‌comprou 30% de participação na operação brasileira da Renault; Chery (parceira da Caoa), GAC, Leapmotor, que tem parceria com a Stellantis no Nordeste; e Changan, outra parceria da Caoa.

"Há 146 marcas de carros na China...A competição é muito acirrada lá e isso traz margens muito complexas....Eles sabem que para ser mais competitivo têm que ⁠sair do país", disse Sampaio.

"Quem já chegou no Brasil sabe que está correndo contra o relógio...Se você não consegue se consolidar agora, daqui três meses vai estar brigando com oito (marcas) e depois de seis meses com 15", afirmou o executivo explicando a importância da Jetour acelerar suas operações no país.

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"O mais importante é consolidar a marca. A marca que conseguir chegar mais rápido e fizer seu nome ‌mais depressa, essa marca vai ficar na cabeça do consumidor mais tempo", acrescentou.

Segundo dados da Jetour, o Brasil é atualmente o sexto maior mercado de veículos do mundo, embora suas vendas ainda estejam longe do recorde de ⁠3,8 milhões de unidades emplacadas em 2012. A previsão do mercado para este ano é de pouco abaixo de 3 milhões de unidades.

Mas a maior parte das novas marcas chinesas que estão operando hoje no Brasil têm menos de cinco anos de operações no país e já disputam o topo da tabela com marcas estabelecidas como Fiat, GM, Volkswagen e Toyota.

"O Brasil é mercado que estabelece tendência na América Latina...É muito difícil que uma marca não consiga emplacar nos outros países quando dá certo no Brasil", disse Sampaio.

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Por enquanto, a Jetour conta com vendas de 4 mil veículos no Brasil, em sua maioria grandes utilitários de motorização híbrida. A marca pretende lançar seis modelos no Brasil este ano, dos quais quatro já foram apresentados.

O quinto carro da Jetour será apresentado no Brasil ainda neste mês, disse Sampaio, o utilitário híbrido plug-in de grande porte G700, algumas semanas depois da apresentação ao mercado nacional do jipão T2 na versão 4x4.

A ideia da marca é ter pelo menos um carro inédito no Brasil por ano nos próximos cinco anos, disse Sampaio.

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