MBRF tem queda no lucro de 2025 e se vê em vantagem para operar durante guerra no Irã

18 mar 2026 - 18h19
(atualizado às 19h48)

A empresa de alimentos MBRF, uma das maiores produtoras de carnes ‌do mundo, anunciou nesta quarta-feira um lucro líquido de R$91 milhões no quarto trimestre de 2025, com queda de 91,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior, devido ao aumento das despesas financeiras e pelos custos associados à restruturação e ao processo de fusão da Marfrig com a BRF.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$3,41 bilhões no quarto trimestre, baixa de 9,1% na comparação anual, em linha ⁠com estimativas de analistas obtidas pela LSEG.

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No ano completo de 2025, quando a companhia dona das marcas Sadia e ‌Perdigão registrou um crescimento de 11,9% na receita líquida para um recorde de R$163,96 bilhões, o lucro foi de R$358 milhões, com uma queda de 77,9%. O resultado líquido foi influenciado pelo impacto da gripe aviária ‌no Brasil, que afetou as exportações, além da menor rentabilidade da unidade ‌de carne bovina nos Estados Unidos, onde a oferta de gado reduzida tem afetado as margens do ⁠setor.

Mas a companhia se vê preparada para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio, onde estão alguns de seus mais importantes mercados no exterior, disse o CEO da companhia, Miguel Gularte, a jornalistas. Ele explicou que, primeiro por precauções com doenças como a gripe aviária, a companhia migrou seus estoques para o destino, o que agora amplia a flexibilidade para lidar com questões logísticas no conflito.

"Transferimos estoques para o Oriente Médio e para diversos ‌países, acabamos mitigando qualquer aspecto de risco de gripe aviária, e agora a guerra entre EUA e Irã encontrou ‌a MBRF com estoques posicionados, não ⁠temos problema de execução logística", ⁠afirmou.

Segundo ele, este movimento garante abastecimento por um "bom período". Gularte destacou também o expertise logístico da companhia, que opera na região ⁠do Oriente Médio desde a década de 70.

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"Conhecemos a região, conexões ‌marítimas e rodoviárias... Até agora não ‌tivemos impacto no processo de distribuição e estamos manejando com bastante tranquilidade", afirmou.

A guerra no Golfo Pérsico afetou a rota do Estreito de Ormuz.

O executivo destacou ainda que, por outro lado, o mercado está bastante demandante em meio à guerra, o que favorece no repasse de preços.

"Da nossa parte está sendo abastecido ⁠pela estratégia de colocação de estoque... estamos conseguindo ter performance muito boa no que diz respeito à demanda e preços."

Segundo o CEO, por atuar na região há mais tempo e pela sua dominância no mercado do Oriente Médio, a MBRF tem vantagens logísticas competitivas frente a concorrentes, o que ajuda a mitigar o aumento do preço do frete marítimo em meio à disparada da cotação ‌do petróleo.

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"Existe aumento do custo de frete, o que se fala como taxa de guerra, isso agrega no preço, mas não está havendo nenhuma dificuldade desse valor ser absorvido pelo importador, o cliente sabe que é ⁠uma taxa real, não é especulativa", explicou.

"O consumo da região já vinha em processo de crescimento, a região vem constantemente superando a Ásia na importação de frango."

OUTROS MERCADOS

Questionado sobre a oferta global de carne de frango em 2026, o vice-presidente de Finanças e RI da empresa, José Ignacio Scoseria, afirmou que uma demanda "saudável" deverá manter a situação equilibrada.

"Não vemos até agora algum dado que mostre a oferta acima do que o mercado pode absorver", afirmou.

Já o CEO afirmou que as mais de 200 novas habilitações para exportação obtidas nos últimos quatro anos dão mais opções para a companhia trabalhar nas áreas de frangos e carne bovina em vários países, destacando também que a demanda segue forte na China.

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"A China, o grande motor do consumo de carnes, mesmo uma economia que não dá sinais de pujança, ela segue sendo um ator chave e que sustenta uma excelente demanda", disse.

Por outro lado, a produção baixa de carne bovina nos EUA favorece embarques do produto da unidade sul-americana para aquele país, segundo o executivo.

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