Lula participa da promulgação da PEC do fim da 6x1, sua bandeira eleitoral, a 9 dias do 2º turno

Proposta reduz jornada de trabalho para 40 horas semanais e foi aprovada com voto do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência e adversário do petista nas urnas

16 out 2026 - 10h11
(atualizado às 11h15)
Resumo
A nove dias do segundo turno, o presidente Lula participou da promulgação da emenda que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. Aprovada quase por unanimidade no Senado, a pauta foi apoiada até pela oposição para evitar desgastes eleitorais. A cerimônia também oficializou a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, além do avanço de medidas de perdão de dívidas para microempreendedores individuais.

BRASÍLIA - A nove dias do segundo turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta sexta-feira, 16, da cerimônia de promulgação da emenda constitucional que acaba com a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso) e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salário.

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A PEC foi aprovada em dois turnos pelo Senado na última quarta-feira, 14, por 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Além de Lula, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participam da cerimônia, na qual também foi promulgada a emenda constitucional que cria aposentadoria especial aos agentes comunitários de saúde.

Antes do início da cerimônia, o presidente do Senado convidou o senador Paulo Paim (PT-RS) para compor a mesa. Paim é autor de uma PEC apresentada em 2015 que buscava reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto sobre medidas voltadas aos MEIs
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto sobre medidas voltadas aos MEIs
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Em discurso, o presidente do Senado afirmou que o diálogo com a Câmara permitiu transformar reivindicações antigas em conquistas concretas. "Nosso papel é construir consensos, e não aprofundar divisões. O Congresso sempre esteve e sempre estará de portas abertas para quem pensa diferente", afirmou Alcolumbre.

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A PEC é bandeira eleitoral do petista e recebeu o apoio de última hora de seu adversário nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que mudou de posição na tentativa de reduzir o ganho político de Lula com a aprovação da proposta.

Apesar do voto favorável, Flávio indicou a empresários que, se eleito, vai apoiar a revisão da escala 6x1. O grupo do senador disse que ele votou a favor da PEC para evitar desgaste eleitoral, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

A aprovação da emenda constitucional se deu após a reaproximação do presidente do Senado com Lula, em agosto. Alcolumbre incluiu a proposta na pauta do Senado logo após o resultado do primeiro turno, no qual o petista ficou atrás de Flávio.

Alcolumbre ajudou a articular apoio à emenda, que ganhou também a adesão da oposição diante do risco de que um voto contrário pudesse prejudicar a campanha de Flávio.

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O presidente do Senado também deu celeridade a outro projeto prioritário do governo, que aumenta o teto de faturamento do microempreendedor individual (MEI) e perdoa pelo menos R$ 12,86 bilhões em dívidas. O texto havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira.

O Gastômetro, ferramenta do Estadão que monitora em tempo real os desembolsos do governo federal em ano eleitoral, já atingiu R$ 354 bilhões, com diferentes tipos de medida. Também fazem parte do pacote o reajuste do Bolsa Família, a distribuição de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e subsídios ao preço dos combustíveis.

Vaivém

A PEC foi aprovada na Câmara dos Deputados no final de maio, mas Alcolumbre só destravou a tramitação no Senado em agosto, depois de se reaproximar de Lula. Ambos estavam rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no STF.

O petista atribuiu a derrota a uma estratégia conduzida pessoalmente por Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga.

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A emenda constitucional reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com limite de oito horas diárias, e assegura dois dias de repouso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos. Além disso, estabelece que a mudança não pode implicar em redução salarial.

Dois meses após a publicação da emenda a duração do trabalho normal cai de 44 para 42 horas semanais. Doze meses depois disso, a jornada cai para 40 horas.

Além da emenda, o governo conseguiu aprovar o projeto de lei complementar que aumenta o teto de faturamento do microempreendedor individual (MEI) e perdoa pelo menos R$ R$ 12,86 bilhões em dívidas desses empreendedores.

Agentes de saúde

Além da promulgação da emenda constitucional que acaba com a escala 6x1, o Congresso também promulgou a emenda constitucional que cria aposentadoria especial aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias.

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A PEC que instituiu o benefício foi aprovada pelos senadores em julho, mas Alcolumbre segurou a promulgação diante da preocupação do governo com o impacto fiscal da medida, de cerca de R$ 3 bilhões por ano.

O impacto chegou a ser estimado em R$ 98,7 bilhões pelo Ministério da Previdência, que, posteriormente, reduziu a projeção para R$ 27,9 bilhões em dez anos.

A emenda constitucional cria aposentadoria especial aos agentes de saúde e de combate às endemias, reduzindo a idade mínima para 57 anos de idade para mulheres e 60 anos de idade para homens a partir de 1º de janeiro de 2041, desde que tenham 25 anos de tempo de contribuição e exercício da atividade profissional.

Antes, a Constituição determinava que a idade mínima para aposentadoria era de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, observado tempo mínimo de contribuição. Os agentes seguem as regras da Previdência Social.

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Além disso, institui aposentadoria por idade, que seria de 60 anos para mulheres e 63 anos para homens, desde que tenham no mínimo 15 anos de contribuição e 10 anos de atividade.

A emenda constitucional estabelece ainda aposentadoria integral e com paridade e proíbe a contratação temporária ou terceirizada de agentes comunitários de saúde e de agentes de combate às endemias, exceto em caso de emergências em saúde pública.

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