Líderes da UE buscarão unidade em relação a desequilíbrio comercial com a China

18 jun 2026 - 09h08

Os líderes da União Europeia ‌debaterão nesta quinta-feira novas medidas mais rigorosas que possam ser necessárias para conter o crescente déficit comercial do bloco com a China e sua forte dependência da segunda maior economia do mundo no que diz respeito a terras raras e outros insumos essenciais.

Diplomatas da UE afirmam que há uma convergência gradual de ⁠opiniões entre os 27 membros da UE de que existe um problema com o ‌déficit comercial de bens com a China, que atualmente chega a cerca de 1 bilhão de euros por dia. A situação é ainda mais crítica, ‌já que as tarifas transatlânticas restringem o acesso ‌ao mercado dos Estados Unidos.

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"Vivemos agora em um mundo de lobos. ⁠Não vivemos mais em um mundo de pôneis rosas e arco-íris", afirmou um diplomata da UE.

O superávit comercial de bens da China com a UE atingiu 360,6 bilhões de euros em 2025, um aumento de 15% em relação a 2024, e cresceu 10% nos primeiros quatro meses deste ano, à medida que ‌as empresas chinesas venderam mais para a UE e importaram menos.

Pequim também explorou seu ‌domínio no processamento de minerais ⁠críticos ao impor ⁠restrições à exportação de terras raras em abril de 2025, uma resposta às tarifas do ⁠presidente dos EUA, Donald Trump, que ‌também afetaram as empresas da ‌UE.

Consciente de que precisa diversificar seu comércio, a União Europeia firmou várias parcerias no setor mineral e acordos de livre comércio com a Austrália, a Índia e a Indonésia no último ano.

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Os líderes da UE, reunidos para ⁠uma cúpula em Bruxelas, provavelmente concordarão que é preciso ir além, afirmam diplomatas. A expectativa é de que solicitem à Comissão Europeia, que supervisiona a política comercial do bloco, que dialogue com a China ao mesmo tempo em que reforça as defesas comerciais da ‌UE.

Há menos consenso, no entanto, sobre como isso deve ser feito. Países como a França defendem uma linha mais dura, enquanto a Alemanha, maior exportadora da ⁠UE, e a Espanha, que cada vez mais atrai investimentos chineses, se mostram mais cautelosos.

"Há uma certa convergência de pontos de vista e uma análise compartilhada, mas surgem nuances quando se trata de como responder a isso", disse um segundo diplomata. "Precisamos acertar, porque, do contrário, ficaremos presos a uma situação em que nossa indústria fica dependente da segunda maior economia do mundo."

A divisão ficou evidente no mês passado, quando França, Itália, Holanda e Lituânia afirmaram, em um documento conjunto, que a UE deveria estudar uma nova medida para limitar a dependência excessiva de países estrangeiros específicos, possivelmente com tarifas adicionais ou cotas para proteger os produtores nacionais.

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A Espanha havia sido inicialmente listada como signatária, mas depois se distanciou publicamente do documento.

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