O fundo de investimentos privado FirstFire Global Opportunities protocolou, nesta sexta-feira, 19, ação coletiva nos Estados Unidos contra o PicPay. A queixa é de que o banco digital teria apresentado a investidores informações falsas e enganosas sobre modelos de crédito e qualidade da carteira antes de abrir capital em Nova York, em janeiro.
Procurado, o PicPay disse não concordar com as alegações apresentadas pelo fundo e que está tomando providências necessárias em relação ao assunto.
Em comunicado, a defesa do fundo alega que o papel do PicPay acumula queda de mais de 50% desde a oferta inicial de ações (IPO). Segundo a peça, em dezembro de 2025, a companhia teria escondido deficiências nos modelos de crédito descobertas em dezembro de 2025, antes da estreia em Wall Street.
Como consequência das revisões, a instituição financeira teria reclassificado cerca de R$ 590 milhões da carteira de estágio 2 para o estágio 3, a mais estressada. Essas mudanças teriam provocado uma despesa adicional de aproximadamente R$ 88 milhões em perdas esperadas com crédito no quarto trimestre.
Os autores do processo também alegam que o PicPay enfrenta um índice de formação de estágio 3 de mais de 7%, "substancialmente" acima da taxa informada ao mercado. O prospecto do IPO teria ainda transmitido uma avaliação excessivamente favorável sobre a capacidade de empréstimos e a eficácia dos sistemas internos para monitorar o risco e a inadimplência.
Em paralelo, o PicPay é acusado de ter expandido atuação para linhas de negócios mais arriscadas antes do IA, o que também teria provocado aumento das perdas e da inadimplência.