Inflação segue longe da meta, apesar do recuo mensal, e dificulta a jornada de queda nos juros

Além do desequilíbrio dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, há a insegurança sobre a política fiscal, inclusive sobre o impacto da disputa eleitoral nas contas públicas

27 mai 2026 - 17h02

A inflação deu uma pequena folga nos 30 dias até o meio de maio, quando o aumento mensal do custo de vida recuou de 0,89% para 0,62%, mas a alta acumulada em 12 meses subiu de 4,37% para 4,64%, superando o teto da meta oficial, 4,50%. Fica mais difícil, diante desses números, apostar em novo corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), marcada para os dias 16 e 17 de junho. Em abril a taxa básica, a Selic, foi reduzida de 15% para 14,50% ao ano.

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No mercado, os juros básicos previstos para o fim do ano foram elevados em abril de 13% para 13,25%, segundo o boletim Focus, editado pelo BC. Para 2027 a projeção passou de 11% para 11,25%, indicando o prolongamento de um ambiente financeiro desfavorável ao crescimento econômico.

Juros altos tendem a inibir tanto o crédito quanto o consumo e o investimento em meios de produção — itens como equipamentos, máquinas e instalações industriais. Em um mês, a expansão econômica estimada para 2027 foi reduzida de 1,80% para 1,70%, embora o avanço projetado para este ano tenha passado, no mesmo período, de 1,85% para 1,89%, refletindo, talvez, o empenho econômico do governo em ano de eleições.

A piora da inflação foi puxada principalmente pelos itens alimentação e bebidas e habitação. Embora o impacto da comida na formação do índice geral tenha diminuído de 0,31 ponto porcentual em abril para 0,30 em maio, esse ainda foi o principal fator negativo para o orçamento das famílias. Com impacto de 0,15 ponto, o custo da habitação também pesou sensivelmente nas condições dos consumidores.

O equilíbrio dos preços do petróleo e de outras matérias-primas tem sido prejudicado pelos conflitos no Oriente Médio. Além de importar inflação, no entanto, o Brasil enfrenta os efeitos da insegurança em relação à política fiscal, isto é, à forma como as contas públicas serão afetadas pela disputa eleitoral.

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Apesar do empenho mostrado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, as projeções de inflação seguem elevadas e o País continua sujeito aos juros altos impostos como remédio pelo BC.

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