Em julho, o índice de inflação PCE dos EUA permaneceu em 3,7%, acima do esperado e da meta de 2% do Fed, refletindo pressões de tarifas e do conflito no Irã. O cenário intensifica o debate no banco central sobre a necessidade de elevar ou manter os juros, hoje entre 3,50% e 3,75%. No mês, o indicador subiu 0,2%, enquanto o Departamento de Comércio manteve a estimativa de crescimento anualizado do PIB do segundo trimestre inalterada em 1,5%.
A inflação anual dos Estados Unidos permaneceu bem acima da meta de 2% do Federal Reserve em julho pelo 65º mês consecutivo, e a pausa na queda em relação ao pico recente induzido pela guerra com o Irã provavelmente contribuirá para o tenso debate do banco central sobre se a taxa de juros deve ser elevada ou mantida.
O índice de preços PCE subiu 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho, informou nesta quarta-feira o Bureau de Análise Econômica do Departamento de Comércio. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE, que o Fed utiliza para definir sua meta.
O PCE disparou para a máxima em três anos de 4,1% em maio depois que o presidente Donald Trump lançou no final de fevereiro ataques aéreos em conjunto com Israel contra o Irã, fazendo com que os preços da energia disparassem, já que o conflito interrompeu cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo.
Seis meses depois, o conflito não parece estar mais próximo de uma resolução definitiva, embora os confrontos tenham diminuído e os preços do petróleo e a inflação que eles provocaram tenham recuado em relação às máximas registradas em meados da primavera.
A retração da inflação nos últimos dois meses ajudou a reforçar os argumentos da maioria dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) que votaram pela manutenção dos juros em julho na faixa de 3,50% a 3,75%, onde se encontram desde dezembro. Mas é improvável que o ritmo lento da melhora acalme uma minoria crescente de autoridades que defendem que é necessária uma política monetária mais apertada, já que a inflação está acima da meta desde fevereiro de 2021 e não chegará lá sem mais restrições.
A inflação medida pelo PCE atingiu o pico de 7,2% em junho de 2022, e os aumentos mais acentuados dos juros pelo Fed desde a década de 1980 ajudaram a colocá-la em um caminho de retorno aos 2%. Essa trajetória mudou no ano passado, depois que Trump desencadeou uma onda de tarifas de importação ao retornar à Casa Branca, elevando os preços de uma ampla gama de produtos, com a guerra no Irã agravando essas pressões.
Na comparação mensal, o PCE subiu 0,2% em julho — também acima das previsões dos economistas —, após cair 0,1% em junho, que havia sido o resultado mais fraco desde abril de 2020.
Também nesta quarta-feira, o Bureau atualizou os dados sobre o crescimento econômico do segundo trimestre, mantendo sua estimativa de crescimento anualizado do Produto Interno Bruto em 1,5%.