Ibovespa salta 3% com foco em disputa eleitoral mais acirrada

2 set 2026 - 10h09
(atualizado em 3/9/2026 às 11h35)
Resumo
O Ibovespa saltou mais de 3%, superando 185 mil pontos em sua 11ª alta consecutiva, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização de blue chips como Vale e Itaú. O mercado reagiu à pesquisa eleitoral que indicou disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, alimentando expectativas de mudanças fiscais. No cenário corporativo, Magazine Luiza disparou quase 18% após parceria com o Mercado Livre, enquanto Azzas 2154 subiu 13% com o anúncio de sua reorganização societária.

O Ibovespa avançava forte nesta quarta-feira, ultrapassando os 185 mil pontos, ‌com apoio principalmente das blue chips Vale e Itaú Unibanco, enquanto investidores repercutiam nova pesquisa eleitoral referendando um cenário acirrado na disputa presidencial.

O noticiário corporativo também ocupava os holofotes, com Azzas 2154 disparando 13% após anúncio de reorganização societária, enquanto Magazine Luiza saltava quase 18% na esteira de parceria comercial com o Mercado Livre. 

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Por volta de 12h, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 3,03%, a 185.172,19 pontos, a caminho da 11ª alta consecutiva. Na máxima até o momento, chegou a 185.350,31 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$12,8 bilhões. 

Na visão ⁠do chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, parte do movimento positivo no pregão reflete a trégua nas vendas de ‌ações por estrangeiros no final do mês passado. "Investidores estrangeiros pararam de vender bolsa do Brasil massivamente, como ocorreu na primeira metade do mês de agosto. Só por isso, o fluxo já melhorou e muito e deu uma impulsionada na bolsa", afirmou. 

Além disso, acrescentou Magno, pesquisas eleitorais ‌têm mostrado um cenário mais apertado na disputa pela Presidência entre o presidente Luiz ‌Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com isso, afirmou, aumentam as expectativas de uma eventual mudança no Planalto e ⁠na política fiscal, com ajustes que melhorem a trajetória da dívida pública. 

Nesta quarta-feira, pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou empate técnico entre Lula e Flávio em um potencial segundo turno da eleição presidencial de outubro, mas a vantagem numérica do petista diminuiu.

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Para a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, embora as especulações e os desdobramentos no ambiente político sigam atuando como um catalisador pontual de volatilidade na sessão, o principal motor do índice continua sendo a tração exercida pelos papéis de grande peso ligados a commodities, que seguem atraindo o fluxo de capital de ‌investidores estrangeiros.

Da agenda macro no dia, o IBGE mostrou que a produção industrial em julho avançou 0,20% ante o mês anterior e encolheu 0,5% ante ‌o mesmo período do ano passado, em números ⁠mais fracos do que as expectativas.

No ⁠exterior, Wall Street ensaiava uma recuperação, com o S&P 500 em alta de 0,54%.

DESTAQUES

• VALE ON avançava 3,33%, mesmo com o recuo dos futuros do minério de ⁠ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian ‌caiu 1,11%.

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• ITAÚ UNIBANCO PN subia 3,28%, ‌BRADESCO PN valorizava-se 1,59%, BANCO DO BRASIL ON tinha alta de 5,71%, SANTANDER BRASIL UNIT ganhava 1,4% e BTG PACTUAL UNIT mostrava elevação de 3,81%. O Banco Central também informou nesta quarta-feira que medidas em preparação em resposta à elevada participação das modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias visam garantir o reconhecimento tempestivo dos riscos.

• PETROBRAS PN avançava 1,26% e PETROBRAS ⁠ON subia 0,57%, com o petróleo retomando o fôlego. O barril sob o contrato Brent era negociado com acréscimo de 0,57%, a US$95,19.

• AZZAS 2154 ON disparava 13,14% após os acionistas Alexandre Birman e Roberto Jatahy firmarem acordo para uma reorganização societária do grupo que prevê a divisão dos negócios em duas companhias abertas independentes -- Arezzo&Co e SOMA -- e uma estrutura própria para a FARM Rio. Concluída a reorganização, o bloco liderado por Jatahy deterá 25,95% da SOMA e o bloco liderado por Birman ‌deterá 32,13% da Arezzo&Co, remanescendo o bloco de Birman com 6,18% da SOMA. Demais acionistas deterão 67,87% em cada uma das novas companhias.

• MAGAZINE LUIZA ON saltava 17,75%, tendo também como pano de fundo parceria comercial com o Mercado Livre para vender seus produtos por ⁠meio da plataforma de comércio eletrônico. O grupo oferecerá por volta de 27 mil itens de estoque próprio das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos. À primeira vista, o Citi considerou a parceria positiva para as duas empresas. "No entanto, ainda precisamos de maior visibilidade sobre aspectos econômicos da operação, incluindo comissões, mix de produtos, logística e eventual sobreposição de canais de venda, para avaliar com mais precisão seus impactos", afirmou em nota a clientes.

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• B3 ON subia 4,51%, com investidores também repercutindo decisões da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) na véspera que cancelaram em definitivo autuações da Receita Federal contra a empresa relacionadas a vendas de ações do CME Group em 2025 e 2016, da ordem de R$2,2 bilhões. Na terça-feira, as ações fecharam em alta de quase 2,5%. O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também aprovou nesta quarta-feira o acordo de compra de participação de 60% na Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC) pela B3, sob condições.

• MOTIVA ON avançava  4,59%. A companhia de concessões de infraestrutura de transporte informou na véspera que concluiu a venda de suas 20 operações de aeroportos para o grupo mexicano Asur, com entrada no caixa de R$5,187 bilhões.  O conselho de administração do grupo também aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio de R$1,45 bilhão.

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