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Ibovespa fracassa em reação e amplia sequência negativa em agosto

18 ago 2026 - 17h11
(atualizado às 17h39)

O Ibovespa voltou a fechar com sinal negativo nesta terça-feira, marcando a 11ª queda consecutiva, sem conseguir sustentar a ‌tentativa de recuperação que o colocou acima dos 168 mil pontos no melhor momento do pregão. 

Bancos figuraram entre as maiores pressões negativas, conforme permanecem preocupações sobre o cenário de crédito no país, enquanto Petrobras atuou como contrapeso, mesmo com o enfraquecimento da alta do petróleo. 

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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,27%, a 166.334,86 pontos, renovando a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023.

Na máxima da sessão, o Ibovespa marcou 168.389,49 pontos. Na mínima, registrou 166.211,30 pontos. No mês, o índice acumula até o momento uma queda de 6,55%. O volume financeiro no pregão somou R$21,72 bilhões.

A bolsa paulista permanece fragilizada pela recente saída de capital estrangeiro, bem como incertezas em torno do ciclo eleitoral de 2026 e as expectativas para ⁠os juros, além das incertezas no cenário geopolítico.

Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, parte da piora na bolsa refletiu o cenário externo, principalmente a tensão no Oriente Médio.

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Queiroz chamou a ‌atenção para declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não há conversas em andamento ou agendadas com o Irã. 

O fim do acordo temporário entre EUA e Irã sem um avanço para o fim da guerra no Oriente Médio arrefeceu perspectivas de um acordo para pôr fim ao conflito que começou no final de fevereiro. 

Em Wall Street, o S&P 500 recuou 0,69%. 

No Brasil, Queiroz chamou a ‌atenção para preocupações crescentes sobre o potencial efeito do atual ciclo restritivo nos resultados corporativos, citando o noticiário sobre pedidos de ‌recuperação judicial, que abriu a semana com o pedido da Casas Bahia.

"Até quando as empresas vão aguentar, de fato, um juro tão elevado?"

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Com a temporada de balanços concluída, analistas do ⁠BTG Pactual destacaram que o desempenho sólido da receita não se traduziu totalmente em surpresa positiva no lucro líquido, dado o atual patamar de juros. 

"A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, mantendo os custos de financiamento elevados e continuando a limitar a conversão para o lucro líquido, particularmente entre as empresas domésticas mais alavancadas", afirmaram em relatório a clientes.

Considerando os resultados excluindo Petrobras e Vale, eles afirmaram que a receita líquida e o Ebitda ficaram 3,2% e 0,3% acima das projeções do BTG, respectivamente, enquanto o lucro líquido ficou 0,5% abaixo.

DESTAQUES

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,5%, com o setor ainda pressionado pelas preocupações para o cenário de crédito no país. Analistas do Bank of America reiteraram a visão cautelosa para os bancos no país, ressaltando que a temporada de resultados do segundo trimestre trouxe novas evidências ‌de que a qualidade do crédito ao consumidor está se deteriorando, pressionada pelo ambiente de juros elevados. No setor, BRADESCO PN recuou 0,62%, BANCO DO BRASIL ON fechou em baixa de 0,84% e SANTANDER BRASIL UNIT ‌cedeu 1,18%. Na noite da véspera, o Itaú divulgou que recebeu ⁠autorização preliminar para constituir um banco com licença nacional ⁠nos EUA, a ser chamado de Itaú Bank.

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• PETROBRAS PN subiu 0,31%, tendo de pano de fundo o avanço dos preços do petróleo no mercado internacional, embora o barril sob o contrato Brent tenha fechado o ⁠pregão distante da máxima, com acréscimo de 0,17%, a US$91,02. Na véspera, a diretora de Exploração e Produção da petrolífera, Sylvia Anjos, ‌também afirmou que a companhia vê boas indicações para a qualidade ‌do óleo encontrado na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, mas precisará fazer análises no centro de pesquisas para confirmações.

• VALE ON terminou com acréscimo de 0,2%, em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian registrou alta de 0,85%, para 714 iuans (US$105,90) por tonelada. No setor, CSN ON era destaque positivo, com elevação de 1,97%. Fontes afirmaram à Reuters que a venda da unidade de cimento da CSN continua indefinida, com divergências em relação ao ⁠valor final do negócio. A CSN informou na semana passada que recebeu propostas vinculantes para o negócio, mas não citou os potenciais compradores.

• C&A MODAS ON recuou 5,87%, acompanhada por LOJAS RENNER ON, que perdeu 3,45%. Analistas do BTG Pactual afirmaram em relatório nesta terça-feira que o varejo brasileiro atravessa um período de forte estresse financeiro, impulsionado principalmente por juros elevados, crédito restrito e consumidores excessivamente endividados. Eles avaliam que, após um número expressivo de falências e reestruturações, o problema deixou de ser específico de algumas companhias e passou a representar uma questão estrutural de balanço para parte relevante do varejo.

• LOCALIZA ON caiu 2,87%, na nona queda consecutiva. Analistas do UBS BB reiteraram nesta semana visão cautelosa para o setor de ‌locação de veículos, destacando que a depreciação mais elevada por um período prolongado tornou-se uma realidade. "Esperamos que a segunda onda de montadoras chinesas, juntamente com a crescente penetração de veículos elétricos e híbridos plug-in, continue pressionando os preços de veículos novos e usados, levando a níveis estruturalmente mais altos de depreciação no segmento de seminovos."

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• HAPVIDA ON avançou 3,04%, em dia de recuperação, após ⁠um tombo de 37,5% na semana passada, determinado principalmente pela recepção negativa do resultado do grupo de saúde no segundo trimestre, com Ebitda ajustado de R$504,4 milhões, queda de 44,3% ano a ano. Analistas também chamaram a atenção para a reaceleração dos novos depósitos judiciais - recursos vinculados a disputas judiciais com clientes e prestadores.

• SMARTFIT ON caiu 3,21%, retomando a tendência negativa de agosto, após tréguas nas duas sessões anteriores. No mês, o papel já perde 15,7%. Analistas do UBS BB reiteraram recomendação de compra para a ação, mas chamaram a atenção em relatório que o resultado do segundo trimestre evidenciou a persistente fraqueza das academias Smart Fit no Brasil e no México. Também revisaram para cima sua previsão de investimentos, bem como da dívida líquida, o que deve pressionar as despesas financeiras. A estimativa para o lucro de 2026 caiu para R$932 milhões, de R$1,013 bilhão anteriormente.

• BRASKEM PNA fechou em baixa de 3,08%, tendo no radar que a joint venture da companhia com o Grupo Idesa do México entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA nesta terça-feira, após chegar a acordos com credores e acionistas para reduzir a dívida em mais de US$920 milhões. A Braskem Idesa afirmou que espera sair do Chapter 11 dentro de 60 a 90 dias, acrescentando que as operações diárias continuarão funcionando normalmente. Na véspera, os papéis da Braskem subiram 5,5%. Na semana passada, fontes afirmaram à Reuters que a Braskem estava em discussões avançadas para um potencial pedido de recuperação extrajudicial, que pode ser protocolado ainda este mês.

• XP, que é listada nos EUA, subiu 0,78%, após reportar na segunda-feira lucro líquido ajustado de R$1,384 bilhão no segundo trimestre, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, com expansão de receita e dos ativos totais de clientes. O presidente-executivo da instituição, Thiago Maffra, também afirmou que é uma evolução natural a XP ter um banco nos Estados Unidos em um futuro próximo.

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(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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