Governo Lula descarta entrar em aliança de Trump sobre minerais críticos

Prioridade é firmar acordos bilaterais com outros países, estabelecendo que o Brasil processe e não só exporte a matéria-prima para outras nações

6 fev 2026 - 17h47

BRASÍLIA - O Brasil descarta aderir à aliança dos Estados Unidos sobre minerais críticos proposta pelo presidente americano, Donald Trump. A prioridade é firmar acordos bilaterais com outros países, estabelecendo que o Brasil processe e não só exporte a matéria-prima para outras nações.

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O Estadão/Broadcast apurou que o governo observa a iniciativa de Trump como uma forma de definir como será o comércio global dos minerais críticos e terras raras a partir dos interesses americanos.

Na quarta-feira, 4, Trump convidou uma série de países para formar um bloco comercial visando criar parcerias no setor de minerais críticos. Convidado, o Brasil enviou um diplomata de nível baixo para indicar que não deve participar da iniciativa da Casa Branca. A intenção foi ficar por dentro do assunto e acompanhar os discursos sobre o tema.

Enquanto os EUA tentam centralizar o comércio diante do monopólio chinês no mercado, os planos de Lula são diferentes, e o Brasil quer realizar acordos sobre o tema com diferentes países, tendo o processamento brasileiro como condição.

O tema deve ser levado por Lula nas próximas reuniões bilaterais com líderes, como a viagem que o petista fará para a Índia no fim do mês. Com os indianos, o governo brasileiro discute um acordo sobre minerais críticos, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pelo Estadão/Broadcast. As conversas são preliminares e devem ser feitas até o desembarque do petista em Nova Délhi.

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Na Índia, conforme apurou a reportagem, Lula também deve participar de uma cúpula de autoridades que discutirão assuntos relacionados à inteligência artificial. O comércio entre Brasil e Índia alcançou um recorde em 2025, superando a cifra de R$ 15 bilhões.

O movimento de Trump sobre minerais críticos é semelhante à proposta da Casa Branca de criar um Conselho de Paz como solução para Gaza, mas que se mostrou uma alternativa às funções da Organização das Nações Unidas (ONU) para conflitos mundiais sob a presidência e poder de veto de Trump. O governo brasileiro resiste a entrar na aliança militar, e Lula recomendou a Trump que ela se limite à questão palestina e que os líderes se engajem em promover reformas na ONU.

Conforme apurou o Estadão/Broadcast, o governo acredita que uma eventual negativa não deve prejudicar a boa relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump construída nos últimos meses.

A expectativa é que Lula vá a Washington visitar Trump no próximo mês. As prioridades do governo é discutir uma cooperação bilateral para a segurança pública dos dois países, além de colocar uma pá de cal nas sanções americanas contra autoridades brasileiras e os produtos brasileiros que ainda são alvos do tarifaço de 50%. É esperado que a discussão sobre os minerais críticos também entre na pauta.

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O Brasil possui a segunda maior reserva de minerais críticos do planeta, e o plano do governo Lula é tornar o Brasil um polo processador, e não só apenas ser um fornecedor global. Aliados do presidente observam que é preciso "corrigir erros do passado", onde o País não processava e não adquiria valor agregado nos minérios.

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