Forte dependência de tarifas prejudica impulso industrial de nações em desenvolvimento, diz Banco Mundial

17 mar 2026 - 11h23

Os países em desenvolvimento estão ‌buscando a política industrial de forma mais agressiva do que as nações ricas, mas muitos deles dependem excessivamente de ferramentas contundentes, como tarifas e subsídios, que provavelmente não funcionarão, alertou o Banco Mundial em um relatório nesta terça-feira.

Há muito tempo os governos têm apoiado ⁠a política industrial, usando ferramentas estatais para moldar a produção em ‌vez de depender exclusivamente dos mercados, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, em um prefácio.

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"No ano passado, 80% dos economistas ‌do Banco Mundial voltados a países ‌específicos relataram que os governos de seus clientes buscaram sua ⁠orientação sobre como usar a política industrial de forma mais eficaz", escreveu Gill no relatório sobre estratégias em 183 nações.

O relatório constatou que as economias em desenvolvimento aplicam políticas industriais mais intensamente do que os países de alta renda, com as nações de baixa ‌renda, em média, visando 13 setores para o crescimento, mais do que ‌o dobro dos Estados ⁠mais ricos, de ⁠acordo com os autores Ana Margarida Fernandes e Tristan Reed.

O relatório surge em ⁠um momento em que as ‌tensões comerciais globais aumentam, ‌com governos dos Estados Unidos à China usando cada vez mais medidas protecionistas para proteger setores estratégicos, alimentando debates sobre a melhor forma de promover empregos, exportações e desenvolvimento econômico.

Isso também ⁠marca uma reviravolta na posição do Banco Mundial, formulada há cerca de 30 anos, que dizia aos governos que a política industrial geralmente era um "fracasso dispendioso", disse Gill.

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"Esse conselho não envelheceu bem -- hoje em dia, ele tem o ‌valor prático de um disquete", disse Gill.

No entanto, ele ressaltou que, embora a política industrial possa ser uma ferramenta viável, a implementação ⁠geralmente falha.

"Os governos geralmente recorrem a instrumentos pouco precisos, optando por tarifas contundentes e subsídios abrangentes em vez da precisão de parques industriais e programas de desenvolvimento de competências", disse ele.

As economias de baixa renda impõem as taxas tarifárias médias mais altas sobre as importações, 12%, em comparação com 5% nos países de alta renda, segundo o relatório. Embora as tarifas possam proteger os novos setores em mercados com forte capacidade estatal e flexibilidade fiscal, muitos Estados mais pobres não têm recursos para absorver os custos associados.

"Todos os países estariam em melhor situação com uma abordagem mais pragmática e precisa", disse Gill.

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