Enquanto para uns, a declaração do Imposto de Renda (IR) é apenas uma tarefa corriqueira de todos os anos, para outros, o dever de enfrentar o Leão da Receita Federal é assustador. Mas o contribuinte medroso pode ficar tranquilo: a declaração do IR não ruge, é feita online e, atualmente, o sistema da Receita oferece opções bem práticas para o seu preenchimento. Dessa forma, quase todo mundo consegue entregá-la sozinho.
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Ao menos, isso é o que defende o auditor-fiscal José Carlos Fernandes da Fonseca, supervisor nacional do Imposto de Renda. “Tem pessoas que têm muita facilidade, principalmente com a opção da declaração pré-preenchida, não há necessidade de contratar alguém. Agora, tem pessoas que têm situações um pouco mais complexas”, diz.
A ajuda de um profissional pode ser bem-vinda em alguns casos e evita que o contribuinte caía na temida malha fina. O termo refere-se a quando a Receita encontra inconsistências na declaração e pede retificações ao contribuinte.
Veja algumas perguntas para se fazer antes de decidir por declarar o IR 2026 sozinho:
Houve mudanças no seu patrimônio entre um ano e outro?
Sidney Barros, ex-conselheiro do Conselho de Iniciativa de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda e dono de um escritório de contabilidade, define que uma pessoa que já fez a declaração no ano anterior e não passou por grandes mudanças na vida financeira em 2025 está apta a fazer sozinha a declaração deste ano.
O auditor-fiscal José Carlos Fernandes dá o mesmo conselho. Ele cita como exemplo uma pessoa que vendeu um imóvel no ano passado. “Para essa pessoa é melhor procurar ajuda profissional, porque ela vai ter renda de capital”, diz.
Quantas fontes de renda você tem?
Ter mais de uma fonte de renda não é um impeditivo para preencher sozinho a declaração do IR, mas requer mais atenção. Sidney Barros chega a dizer que esquecer de enviar o informe de rendimento de uma fonte pagadora como um dos erros mais comuns que levam à malha fina.
Possui investimentos?
Novamente, ter investimentos por si só não impede realizar a declaração do IR só, principalmente caso sejam poucos. Quem tem investimentos diversificados e em quantidade é que pode se atrapalhar no momento de informar à Receita e precisar de ajuda profissional.
Em síntese, os contadores ouvidos pelo Terra consideram que pessoas com apenas uma fonte de renda, despesas básicas, filhos como dependentes, é dona de um imóvel e um carro e tem um pouco de dinheiro guardado como rendimento estão aptas a realizar a declaração do IR sozinho.
Os erros mais comuns ao declarar o IR sozinho
Ao decidir que vai declarar o Imposto de Renda sem a ajuda de um contador, o contribuinte precisa ficar atento aos erros mais comuns que podem levá-los à malha fina. Como já foi citado anteriormente, o mais visto por Sidney Barros em seu escritório de contabilidade é deixar de declarar uma fonte pagadora.
“Por exemplo, ano passado você passou por três empresas, mas recebeu um informe de rendimento apenas de duas. E você esquece, lança apenas os rendimentos que tinha em mãos. Mas a Receita Federal recebeu da empresa quanto te pagou de imposto”, explica.
Outro erro comum é não declarar despesa médica corretamente. É preciso comprovar o pagamento daquela despesa, com recibo e prova de pagamento, como extrato bancário ou do cartão de crédito.
Barros finaliza a lista com a falha em comprovar o pagamento de pensão alimentícia, cuja prova de que a despesa foi realmente quitada é pedida pela Receita Federal.