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STF invalida restrição a benefício fiscal para compra de veículos por pessoas com deficiência

Entendimento que prevaleceu é de que emenda constitucional da reforma tributária não distingue o grau de deficiência ao estabelecer a isenção e, por isso, a regulamentação não poderia ter feito essa discriminação

3 ago 2026 - 17h58
(atualizado às 18h01)

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, anular o trecho da regulamentação da reforma tributária que restringe a isenção de impostos para a compra de veículos por pessoas com deficiência. O julgamento foi realizado nesta segunda-feira, 3, na sessão que retomou os trabalhos da Corte após o recesso do Judiciário.

A reforma tributária (Emenda Constitucional nº 32) zerou as alíquotas de IBS (novo imposto de Estados e municípios) e CBS (novo imposto federal) sobre a compra de automóveis por pessoas com deficiência e com transtorno do espectro autista.

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STF invalida restrição da reforma tributária a benefício fiscal para compra de veículos por PcD
STF invalida restrição da reforma tributária a benefício fiscal para compra de veículos por PcD
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Estadão

A Lei Complementar (LC) 214/2025, que regulamentou a emenda, porém, passou a restringir o benefício às deficiências mentais de nível severo e ao transtorno do espectro autista de grau moderado ou grave. Esse é o ponto contestado no Supremo por entidades de defesa dos direitos das PcD.

O entendimento que prevaleceu é de que a emenda constitucional não distingue o grau de deficiência ao estabelecer a isenção. Por isso, a lei complementar não poderia ter feito essa discriminação.

Argumentos dos ministros

"Entendo que essa definição, a priori, de exclusão total de pessoas com deficiência leve e de pessoas no espectro autista nível 1 é inconstitucional. Seja porque a EC 32 não fez essa diferenciação, seja porque há necessidade de se verificar, a partir dos requisitos da lei, se a pessoa faz jus ou não à isenção de 100% da alíquota", afirmou o relator, Alexandre de Moraes, que proferiu o voto vencedor.

"Em tese, acho que é possível a isenção de um tributo prever algumas limitações, mas aqui eu entendo que não havia essa liberdade para o legislador", ponderou o ministro Cristiano Zanin.

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Dino ressaltou que, no caso do autismo, o nível leve já exige apoio. "São pessoas plenamente capazes, mas há uma diferença", afirmou. Ele citou pesquisas que indicam que, na ausência de apoio às pessoas com autismo de nível 1, os déficits de comunicação social ligados ao transtorno "causam prejuízos notáveis".

Moraes também avaliou que a ampliação da isenção não provocará "nenhum transtorno fiscal". O ministro citou uma pesquisa do Mapa Autismo Brasil segundo a qual, mesmo que todas as pessoas diagnosticadas com autismo nível 1 (12.689 pessoas) adquirissem um automóvel, o universo seria de cerca de 4 mil compradores por ano. "Não vai acabar com a indústria automobilística no País", afirmou.

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