FMI adverte que guerra no Oriente Médio eleva riscos à estabilidade financeira

14 abr 2026 - 12h22

A guerra no Oriente Médio está elevando os riscos à estabilidade ‌financeira global por meio de pressões inflacionárias, que podem causar um aperto das condições financeiras e dos mercados de crédito, alertou nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em seu Relatório Semestral sobre a Estabilidade Financeira Global, o FMI alertou que, desde fevereiro, os preços das ações globais caíram 8%, enquanto os rendimentos dos títulos soberanos subiram acentuadamente, impulsionados por um salto nos custos da energia e pelas expectativas de inflação mais elevadas.

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A guerra, que levou o Irã a fechar o ⁠Estreito de Ormuz, fez com que os preços do petróleo disparassem.

A volatilidade do mercado de títulos também foi estimulada pelo ‌aumento dos níveis de dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e pela maior emissão de títulos de curto prazo, que são mais vulneráveis aos riscos de rolagem em um ambiente de inflação elevada e juros mais altos. Isso ‌pode fazer com que os mercados de crédito fiquem mais apertados, o ‌que já provocou turbulências mais amplas no passado, disse o FMI.

"Os mercados corrigiram de maneira ordenada até o ⁠momento, mas os riscos são assimétricos. Quanto mais tempo durar o conflito, maior será o risco de que as condições financeiras globais -- que estavam muito acomodadas antes da guerra -- possam se contrair ainda mais e de forma mais abrupta", alertou o FMI.

Há vários canais pelos quais a tensão relacionada ao crédito pode se transformar em instabilidade financeira, continuou.

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Perdas acentuadas em títulos soberanos poderiam enfraquecer os balanços patrimoniais dos bancos e, ao mesmo tempo, restringir a capacidade dos governos de ajudar ‌as instituições em dificuldades, disse o grupo.

Um aperto abrupto das condições financeiras poderia desencadear uma venda forçada de ativos por parte ‌de instituições não bancárias, de participantes do ⁠mercado expostos a derivativos, como ⁠vendedores de opções, e outros investidores muito dependentes de alavancagem, como fundos de hedge e fundos negociados em bolsa (ETFs) alavancados, o que ⁠poderia levar a perdas desproporcionais, alertou o FMI.

A exposição de fundos de ‌hedge a derivativos de taxas de ‌juros e títulos soberanos mais do que dobrou desde 2020, chegando a mais de US$18 trilhões até 2025, disse o FMI.

"As vulnerabilidades só são acionadas quando há um choque, e a guerra no Oriente Médio é realmente o choque que está ocorrendo", disse Tobias Adrian, diretor do departamento de mercados monetários e de capitais do FMI, ⁠em uma entrevista.

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CRÉDITO PRIVADO E IA

O FMI adotou um tom cauteloso em relação ao setor de crédito privado de US$3,5 trilhões, alertando que sinais de um aumento nos calotes por parte dos tomadores podem se transformar em preocupações mais amplas com o crédito corporativo como um todo, especialmente em setores que podem ser afetados pela inteligência artificial.

Sinais de problemas no obscuro mundo do crédito privado — que ganhou enorme popularidade ‌entre empresas em busca de dívida rápida e sob medida, e entre investidores à procura de retornos elevados — vêm se acumulando desde meados do ano passado. A Blue Owl Capital, a Ares Management, a Apollo Global, a Blackstone e ⁠a KKR limitaram os resgates de fundos de crédito privado à medida que aumentava o nervosismo dos investidores.

O FMI disse que, até o momento, a turbulência parece ser limitada e poderia ter um "impacto sistêmico contido", mas os investidores estão acelerando o ritmo de resgates em meio aos temores de piora na qualidade do crédito.

O FMI também alertou que um conflito prolongado no Oriente Médio poderia desacelerar significativamente o investimento em IA, que tem sido um grande impulsionador do crescimento. Embora o impacto geral sobre a estabilidade financeira pareça modesto, essa retração pode pesar sobre as empresas do ecossistema de IA.

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As autoridades devem garantir que estejam preparadas para enfrentar qualquer disfunção nos mercados, criando e deixando prontos mecanismos de liquidez e de financiamento, afirmou o FMI. A política monetária deve se concentrar na estabilidade de preços, e as autoridades devem monitorar de perto se a inflação observada começa a se refletir nas expectativas de inflação.

No campo fiscal, o FMI disse que as autoridades devem adotar uma postura mais restritiva para colocar a dívida pública em trajetória sustentável e direcionar novos gastos aos grupos mais vulneráveis ao choque de inflação.

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