Qual a situação da Oncoclínicas após Fleury e Porto desistirem de acordo

Mercado via com desconfiança investimento na companhia especializada em oncologia, uma vez que acordo não trazia solução concreta para lidar com passivos

14 abr 2026 - 14h53

A frágil situação financeira da Oncoclínicas, associada à dificuldade que a empresa tem encontrado para renegociar sua dívida, fez Porto e Fleury se retirarem das negociações que visavam a um possível investimento para reestruturar a companhia. Atualmente, a rede de clínicas de oncologia tem um passivo de R$ 3,1 bilhões e alavancagem de 4,3 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

Essa situação levou a empresa a quebrar cláusulas previstas em contratos com debenturistas, o que permitiria antecipar o vencimento de dívidas, entre outras penalidades. Diante desse cenário, a Oncoclínicas recorreu ao Judiciário para se proteger de eventuais cobranças e ganhar fôlego enquanto tenta encontrar uma solução junto a credores.

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Outro ponto que pode ter sido avaliado pelos potenciais investidores foi a possível existência de passivos fora do balanço e o aumento de riscos de avançar com uma negociação neste momento. Foi esse cenário de incerteza até para as operações da companhia que levou à retirada das propostas por Porto e Fleury, disseram ao Estadão/Broadcast pessoas a par do assunto e que aceitaram falar sem ter o nome revelado.

Oncoclínicas reconheceu existência de 'incerteza relevante' que pode levantar dúvida sobre sua capacidade de continuar operando normalmente
Oncoclínicas reconheceu existência de 'incerteza relevante' que pode levantar dúvida sobre sua capacidade de continuar operando normalmente
Foto: Divulgação/Oncoclínicas / Estadão

À Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ambas as empresas destacaram que estariam encerrando as conversas para o potencial investimento, mas não deram detalhes sobre os motivos. As tratativas começaram em meados de março e, se avançassem, poderiam levar à formação de uma nova empresa com as clínicas de oncologia, mas sem os hospitais detidos pela Oncoclínicas. E, nessa nova empresa, haveria o investimento de R$ 500 milhões e uma emissão de debêntures no mesmo valor, com vencimento em 48 meses a partir do desembolso e remuneração de 110% da taxa do CDI.

Contudo, analistas de mercado ainda viam com desconfiança o investimento, uma vez que ele não trazia uma solução concreta para lidar com os passivos da companhia especializada em oncologia.

Por outro lado, o mercado avaliava como estratégico o negócio, caso ele prosperasse, ampliando o acesso da Porto Saúde e do Fleury ao mercado de oncologia, que tem alto crescimento e rentabilidade. Seria, portanto, aderente ao negócio e às estratégias de crescimento das duas companhias.

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Agora, restou à Oncoclínicas reavaliar as alternativas para solucionar sua situação fragilizada. Uma delas é uma proposta da Mak Capital, que anteriormente foi rejeitada pela empresa; a outra seria um aporte do Starboard. Contudo, não há clareza sobre se essas potenciais parcerias estratégicas podem voltar à mesa no cenário atual e após a desistência de Porto e Fleury.

Crise

Na semana passada, a Oncoclínicas chegou a informar à CVM que, segundo auditores independentes, sua continuidade operacional depende de fatores ainda incertos, como o sucesso nas negociações com credores e a reestruturação de suas dívidas.

Segundo a companhia, a manutenção das operações está condicionada à obtenção da dispensa de obrigações para o descumprimento de contratos financeiros, à renegociação do passivo e à melhora na geração de caixa, indicando necessidade de ajustes relevantes na estrutura financeira.

A empresa reconheceu a existência de "incerteza relevante" que pode levantar dúvida significativa sobre sua capacidade de continuar operando normalmente. Esse tipo de alerta é incomum e costuma ser adotado quando há riscos concretos à sustentação financeira do negócio, ainda que não represente, necessariamente, uma situação de insolvência imediata.

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O principal fator por trás desse cenário é o elevado nível de alavancagem. A companhia encerrou 2025 com dívida líquida próxima de R$ 3,1 bilhões e em descumprimento de indicadores financeiros previstos em contratos, como o limite de alavancagem e a cobertura de juros, sinalizando pressão sobre sua capacidade de geração de resultados.

O não cumprimento dessas cláusulas contratuais desencadeou efeitos adicionais, como o risco de vencimento antecipado de dívidas e a reclassificação de parte relevante do passivo para o curto prazo, o que deteriorou o capital de giro. Com isso, a empresa passou a apresentar capital circulante negativo e maior pressão sobre o caixa, elevando o risco de liquidez.

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