O varejo terá uma das trilhas mais extensas do São Paulo Innovation Week (SPIW), com três dias de debates que atravessam temas como geopolítica, experiência do consumidor, retail media e inteligência artificial. Os conteúdos trarão não só tendências de mercado e novas tecnologias, mas também exemplos práticos de inovação que estão tornando o setor varejista mais lucrativo.
A curadoria do conteúdo do evento é de Fábio Queiroz, presidente da Associação das Américas de Supermercados (Alas) e cofundador da plataforma Innovation Week (responsável pelo Rio Innovation Week e pelo São Paulo Innovation Week), que estruturou uma agenda voltada a executivos e especialistas do setor.
Queiroz conta que o evento chega à capital paulista este ano com modelo consolidado após edições de sucesso no Rio de Janeiro. "São Paulo tem uma força incrível, tanto a cidade quanto o Estado. Trilhamos a jornada no nosso quintal e aperfeiçoamos o modelo antes de trazê-lo para a capital paulista. Chegamos já com o processo consolidado", diz.
O festival, que vai ocupar o Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) em maio, é uma realização do Estadão, em parceria com a Base Eventos. Assinantes podem comprar ingressos com 35% de desconto: para adquirir o passaporte para os três dias de evento. Não-assinantes podem acessar este link.
O SPIW contará com a participação em palestras e debates de nomes como Rafaela Rezende, CEO da VTEX; Yuri Gricheno, CEO da Insider; Renata Gomide, vice-presidente de marketing do grupo O Boticário; Diego de Oliveira, head de marketing do WhatsApp na América Latina; Juliana de Aguiar, diretora-geral da Estrella Galícia; Fabi Manfredi, head de retail media na RD Saúde; Luciana Guernieri, diretora de trade marketing na Unilever; e Thiago Rebello, CEO da Ri Happy.
Queiroz lembra que o SPIW será um evento onde startups, investidores e grandes marcas se encontrarão para fazer negócios e conhecer as novas tendências — o que torna o festival um local propício para todos os perfis de empreendedores.
"No Rio de Janeiro, a área de open innovation do evento teve 2 mil startups, e elas estavam no mesmo pavilhão dos investidores-anjo. Ali, elas tiveram a oportunidade de bater à porta de um deles lá e falar: 'Eu preciso de R$ 1 milhão para tirar meu sonho do papel ou para acelerar aquilo que eu já criei'. O investidor pode condicionar o aporte a algumas métricas. Ao lado, temos os mentores. O empreendedor pode ir até eles, contar sua história e receber orientações sobre como atender aos pedidos dos investidores", afirma Queiroz.
Agenda
No dia 13, a trilha parte de uma leitura macro do setor e avança para desafios operacionais. A abertura, dedicada à geopolítica e à geoeconomia, vai conectar o desempenho do varejo às transformações no cenário global. Na sequência, a discussão será sobre liderança em tempos de inteligência artificial, com Estevão Daudt, fundador do Instituto Daudt.
Ao longo do dia, a agenda se aproxima da operação do varejo, com debates sobre aplicação prática de tecnologia, experiência do cliente e prevenção de perdas. A participação de Edmour Saiani, sócio-fundador da consultoria Ponto de Referência, reforça a ideia de que a construção de vínculo com o consumidor depende menos de investimento e mais de consistência estratégica.
Trazendo tendências de consumo, Priscila Seripieri, da empresa global de previsões WGSN, terá um painel para antecipar as mudanças no comportamento de consumo das novas gerações. O dia se encerra com um debate sobre inovação e disrupção no retail media, reunindo executivos como Rafaela Rezende, Fabi Manfredi e Yuri Gricheno, além de um painel sobre segurança de dados e compartilhamento de informações à luz da LGPD.
No dia 14, o foco se desloca para a relação entre marcas, dados e consumidores. A discussão começa com o conceito de "loved brands" (marcas amadas), reunindo executivas como Renata Gomide e Daniela Lupo, em um debate sobre construção de vínculo emocional e consistência de marca ao longo do tempo. Ao longo da manhã, temas como CRM e hiper personalização mostram como o uso de dados vem redefinindo a experiência do cliente.
A reputação aparece como ativo central em um painel com Felipe Paniago, cofundador do ReclameAqui, refletindo um ambiente em que consumidores participam ativamente da construção das marcas. Essa lógica se conecta ao debate sobre o novo comércio digital, com executivos ligados à Renner e à agência Bendita Agência, discutindo a convergência entre plataformas, varejo físico e narrativa criativa.
À tarde, a programação aprofunda a discussão sobre tecnologia aplicada ao relacionamento com o cliente, incluindo o uso de agentes de IA, chatbots e aplicativos de mensagem. O encerramento traz uma leitura mais contextual, analisando como eventos como a Copa do Mundo influenciam o comportamento de compra, com participação de Priscila Ariani, diretora de marketing na Scanntech Brasil.
No dia 15, a trilha assume um caráter mais orientado à inteligência artificial e às novas interfaces de consumo. A discussão sobre influenciadores e novas formas de divulgação, com nomes como Fernanda Dalben, diretora de marketing do Dalben Supermercados, aponta para a crescente importância do conteúdo e da autenticidade na construção de marca. Essa transformação se estende ao uso do WhatsApp como canal de vendas, tema de um painel com Diego de Oliveira, que trata a conversa como motor de conversão.
Ao longo do dia, a inteligência artificial aparece como ferramenta de gestão e também como elemento de transformação estrutural do varejo. A aplicação prática da tecnologia em áreas como estoque, precificação e comportamento do consumidor é combinada a discussões mais amplas, como o impacto das IAs no mercado corporativo, com Ana Moises, diretora de soluções de marketing do LinkedIn.
O debate sobre ESG também ganha espaço, com empresas como L'Occitane e Zurich Seguros, reforçando a necessidade de transformar discurso em métricas concretas.