A Electrolux passou a implementar resina reciclada, em escala industrial, para embalar suas lavadoras fabricadas no Brasil. A solução é fruto de uma parceria da empresa de eletrodomésticos com a Braskem no reaproveitamento de materiais pós-consumo. A ideia é usar 100 toneladas da resina para esse fim ao longo de 2026.
Desde o final de 2025, o material reciclado é usado na composição do filme plástico termoencolhível: embalagem que envolve as lavadoras para preservar as máquinas de avarias no transporte e armazenamento, até o uso pelo consumidor final. O filme plástico é desenvolvido pela fornecedora AGM Embalagens, também parceira da produção, e está sendo utilizado nas máquinas do tipo top load (que têm abertura na parte superior).
A quantia investida no processo não foi divulgada. "O desenvolvimento da solução envolveu investimentos compartilhados entre os parceiros em etapas como formulação da resina, testes laboratoriais, validação industrial e ajustes de processo. É importante ressaltar que não houve investimento 'específico' na iniciativa, pois os custos estão incluídos dentro do modelo de negócio das três empresas", afirma o diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group para a América Latina, João Zeni.
A resina usada é obtida com materiais do ecossistema de economia circular da Braskem, Wenew, e é produzida a partir de resíduos plásticos pós-consumo coletados no mercado brasileiro. O material substitui 30% da matéria-prima virgem dos filmes utilizados pela Electrolux.
De acordo com o líder de Desenvolvimento de Negócios em Economia Circular da Braskem na América do Sul, Pier Pesce, a porcentagem de material reciclado no filme ainda é menor em relação ao insumo virgem para garantir que haja equilíbrio entre sustentabilidade e desempenho técnico.
"Em aplicações de grande escala, como embalagens de eletrodomésticos, é essencial assegurar viabilidade técnica, regularidade de fornecimento, estabilidade de processo e desempenho compatível com a operação logística. O percentual de 30% representa hoje um ponto de equilíbrio que permite escalar a solução, gerar impacto ambiental relevante e, ao mesmo tempo, manter competitividade e confiabilidade operacional."
Metas e parceria
Segundo a Electrolux, o uso do novo filme termoencolhível tem relação com o movimento global da companhia para ampliar o uso de conteúdo reciclado em seus produtos. Em 2024, o relatório de sustentabilidade da empresa publicou a meta de que 35% dos plásticos e aços utilizados em sua fabricação seriam de origem reciclada até 2030.
No Brasil, esta é a primeira vez que a tecnologia de filme termoencolhível com resina reciclada é adotada em larga escala pela companhia, conforme dados internos. "(Isso) serve como uma referência que abre espaço para que a solução seja replicada em outras linhas de produtos e globalmente", prevê Zeni.
No momento, o formato de embalagens sustentáveis está sendo utilizado apenas para as lavadoras, mas é possível que se estenda a outros modos de uso via parceria com a Braskem, frisa.
"Anteriormente, já tínhamos uma parceria firmada com a Braskem que entrega 15% de material reciclado em todas as lavadoras produzidas no Brasil. E (agora) essa nova solução pode ser aplicada em todas as linhas de produtos da Electrolux no País."
Pesce complementa: "A Braskem atua de forma contínua no desenvolvimento de novas soluções que contribuam para metas de circularidade e para a evolução dos modelos produtivos. Nesse contexto, a parceria com a Electrolux estabelece uma base técnica e industrial que pode ser ampliada para novas aplicações ao longo do tempo, conforme as necessidades do cliente e a viabilidade de cada projeto".