O dólar fechou a segunda-feira em queda firme no Brasil, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, com a guerra no Oriente Médio e decisões de bancos centrais sobre juros no foco dos investidores.
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 1,62% no Brasil, aos R$5,2303, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
No ano, a divisa dos EUA passou a registrar queda de 4,71% ante o real.
Às 17h36, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 1,83% na B3, aos R$5,2555.
Na sexta-feira, o dólar à vista havia encerrado o dia com alta de 1,34%, aos R$5,3166, em meio a uma piora generalizada da percepção global em relação à guerra no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana cedeu ante quase todas as demais divisas globais, incluindo o real, em uma sessão de ajustes de preços e de certa busca por ativos de risco, ainda que a guerra siga em andamento. O preço do petróleo, que tem servido como uma espécie de termômetro para o estresse global, recuou durante o dia.
"A expectativa de avanços diplomáticos e esforços coordenados para garantir a retomada do tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz reduziu parte do prêmio de risco geopolítico, levando a um recuo nos preços do petróleo", disse à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
"O movimento resultou em uma melhora do apetite por risco na sessão de hoje, com bolsas mundiais em alta, queda do índice DXY e dos rendimentos dos Treasuries -- favorecendo moedas emergentes no geral", acrescentou.
Na cotação mínima do dia, às 16h10, o dólar à vista marcou R$5,2255 (-1,71%), para depois encerrar pouco acima disso.
No campo econômico, os agentes aguardam para esta semana as decisões sobre juros dos bancos centrais de EUA, Reino Unido, Japão, além do Brasil. No caso do Federal Reserve, a expectativa é de que a taxa seja mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%.
Com o forte recuo desta segunda-feira, em meio a duas intervenções do Tesouro Nacional no mercado, a curva de juros brasileira passou a precificar chances ainda maiores de corte de 25 pontos-base, sendo que uma redução de 50 pontos-base foi descartada pelos agentes. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem impulsionado a moeda norte-americana.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.
Às 17h36 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,53%, a 99,806.