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Dólar sobe a R$5,3875 influenciado por exterior e preocupações com novo governo Lula

29 out 2026 - 17h10
(atualizado às 17h20)
Resumo
O dólar fechou em alta de 0,76%, a R$ 5,3875, impulsionado pela força da moeda norte-americana no exterior após dados do PIB e da inflação nos EUA superarem as expectativas. No cenário doméstico, pesaram as incertezas sobre a política fiscal do futuro governo Lula e a indefinição de nomes para a equipe econômica. A fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, após contestar o resultado eleitoral, também gerou temores de atritos diplomáticos, acentuando o movimento defensivo dos investidores.

O dólar fechou a ‌quinta-feira em alta no Brasil, apoiado pelo avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior e pelas preocupações em torno do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou com elevação de 0,76%, a R$5,3875. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 1,85%.

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Às 17h04, o dólar futuro ⁠para novembro subia 0,86% na B3, aos R$5,3950.

Os Estados Unidos divulgaram pela manhã que ‌o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, acima da projeção de 3,2% de economistas ouvidos pela Reuters, enquanto os gastos do consumidor ‌em setembro avançaram 0,5%.

Já o núcleo do índice ‌de inflação PCE, bastante acompanhado pelo Federal Reserve para a formulação da política ⁠monetária, subiu 0,3% em setembro, em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% no mês passado.

Após os números, o dólar acelerou ganhos ante divisas como o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real.

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No caso da divisa brasileira, as cotações também encontraram suporte no atual cenário pós-eleitoral, de dúvidas sobre o próximo ‌mandato de Lula.

Ao mesmo tempo em que aguardavam indicações sobre quem ocupará em 2027 as ‌principais pastas, como o ⁠Ministério da Fazenda, os ⁠agentes esperavam por detalhes sobre como será a política fiscal do novo governo. O controle das ⁠contas públicas segue como a principal preocupação dos ‌investidores.

"As preocupações com o fiscal, ‌com a nova equipe econômica, que o Lula parece não ter pressa em anunciar, tudo isso traz um movimento de proteção", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar o avanço da moeda norte-americana. "E lá fora o ⁠dólar também sobe ante as outras divisas de emergentes."

Às 15h26, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,4302 (+1,56%).

"Acompanhando essa tensão local e a busca natural por proteção de patrimônio, o dólar comercial registrou uma forte valorização frente ao real", reforçou Rebecca Nossig, estrategista de ações da ‌Nomad.

Segundo ela, o avanço do dólar "evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a ⁠influência direta de um cenário macroeconômico global que aponta para um aperto monetário prolongado".

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Ainda em relação ao noticiário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, chegou na quarta-feira aos EUA após fugir do Brasil.

Investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio se declarou em carta "legítimo presidente eleito" e, posteriormente, "líder do Brasil".

Os partidos da base de apoio de Flávio, no entanto, reconheceram a eleição de Lula.

No mercado, um dos receios é de que a presença de Flávio nos EUA eleve os atritos do país com o Brasil, o que poderia afetar a economia e, no limite, o câmbio.

No exterior, às 17h07 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,16%, a 101,960.

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(Edição de Isabel Versiani)

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