A Dívida Pública Federal subiu 0,04% em agosto, atingindo R$ 9,293 trilhões, impulsionada pela apropriação de R$ 88,388 bilhões em juros, apesar do resgate líquido de R$ 84,434 bilhões. Os títulos atrelados à taxa Selic alcançaram recorde histórico de 52,74% do total, mantendo-se como instrumento estratégico frente às incertezas globais. No período, o prazo médio subiu para 4,10 anos, a fatia a vencer em 12 meses caiu para 16,39% e a presença de investidores estrangeiros avançou levemente para 9,91%.
BRASÍLIA - A Dívida Pública Federal (DPF) aumentou 0,04% em agosto, na comparação com julho, de R$ 9,289 trilhões para R$ 9,293 trilhões, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 28.
A variação reflete um resgate líquido de R$ 84,434 bilhões no mês passado, somada ao impacto de R$ 88,388 bilhões com a apropriação dos juros. A DPF inclui a dívida interna e externa.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) caiu 0,05%, e fechou o mês em R$ 8,944 trilhões. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 2,41%, para R$ 348,26 bilhões.
Parcela da dívida corrigida pela Selic sobe para 52,74%
A parcela de títulos da Dívida Pública Federal (DPF) atrelada à taxa Selic aumentou de 51,11% em julho para 52,74% em agosto, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira. O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 foi atualizado para prever um intervalo de 49% a 53% para a participação desses títulos.
Isso significa que a maioria da dívida pública é formada por títulos sujeitos à variação da taxa básica de juros - hoje em 13,75% ao ano.
A participação dos papéis pré-fixados subiu de 19,22% para 20,31%. O novo limite para esses papéis agora é de 20% a 24%. A parcela dos títulos indexados à inflação cresceu de 26,02% para 23,22%, contra um intervalo atualizado de 21% a 25% no PAF. Os papéis cambiais passaram de 3,65% para 3,74%. No PAF revisado, esse intervalo foi mantido de 3% a 7%.
O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, afirmou que o valor de títulos atrelados a taxas flutuantes em agosto de 2026 é o maior registrado na composição histórica. Ele ressaltou que a perspectiva é reduzir a participação desses papéis com a conquista de superávits primários.
Borges defendeu que a emissão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), papel atrelado à taxa Selic, é muito importante para financiar a dívida em momentos de incertezas, como o vivido pelo Brasil perante o cenário externo nos últimos anos.
"LFT é um instrumento muito importante para o financiamento da dívida em momentos de incerteza, como temos observado nesses últimos anos, com vários choques, como pandemia, Guerra da Ucrânia, Guerra do Irã, todos os desafios que temos tido e estamos passando com grande tranquilidade em função desse instrumento", disse Borges durante coletiva de imprensa do Relatório Mensal da Dívida Pública (RMD) relativo ao mês de agosto nesta segunda-feira, 28.
"A expectativa é que possamos retornar a fazer superávits primários, que é a condição estrutural para que consigamos reduzir a participação de flutuantes na composição da dívida", completou.
A parcela da DPF a vencer em 12 meses reduziu de 18,91% em julho para 16,39% em agosto. No PAF de 2026, o intervalo previsto é de 18% a 22%.
O prazo médio da dívida subiu de 4,05 anos para 4,10 anos. Os limites do PAF são de 3,8 a 4,2 anos para 2026. O custo médio acumulado em 12 meses da DPF reduziu de 12,45% ao ano em julho para 12,59% ao ano em agosto.
A participação dos investidores estrangeiros no estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu de 9,82% em julho para 9,91% em agosto. O estoque de papéis nas mãos dos estrangeiros cresceu de R$ 879,07 bilhões para R$ 886,3 bilhões no período.
As instituições financeiras continuam tendo a maior participação no estoque: de 31,22% em agosto, ante 31,34% em julho. A parcela dos fundos de investimento passou de 22,23% para 22,52%, e a do grupo de Previdência caiu de 22,73% para 22,63%. As seguradoras passaram de 3,32% para 3,34%.
Dias afirmou que o conflito no Oriente Médio segue pressionando as curvas e trazendo volatilidade para o mercado. O Brasil, entretanto, seria um contraponto.
"No mês de setembro, mais uma vez, a gente continuou com o conflito no Oriente Médio pressionando, trazendo muita volatilidade. Tivemos também altas de juros no Federal Reserve, e também no BOJ, lá no Banco do Japão. E isso impactou a percepção de risco para os mercados emergentes", afirmou.
Borges disse que o comportamento do País reflete fatores domésticos e o ciclo de política monetária: "O Brasil teve uma redução, uma pequena redução, um movimento relativo aqui benéfico. E considerando a curva de juros domésticos, a gente observa um recuo de nível".
Para o mês de setembro ainda, ele disse que o resultado tende a ser positivo em volume de emissão, com destaque para papéis atrelados a taxas prefixadas.