O Ibovespa recuou 0,26%, aos 182.991 pontos, pressionado pelo cenário externo negativo e pelas incertezas eleitorais locais, com pesquisas indicando disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. O exterior pesou devido ao avanço nos rendimentos dos títulos dos EUA e temores de inflação com a alta do petróleo Brent. O índice brasileiro só não caiu mais graças ao suporte das ações da Petrobras e de outras petrolíferas, que amenizaram as perdas do setor bancário e de outras empresas do mercado.
O Ibovespa fechou com uma queda modesta nesta segunda-feira, após uma sessão sem um sinal único, em meio a um ambiente externo ainda negativo e novas pesquisas eleitorais, mas contrapeso positivo de Petrobras, com novo avanço do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,26%, a 182.991,13 pontos, após alcançar 181.931,36 na mínima e 184.094,65 na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$25,46 bilhões.
Na visão do estrategista-chefe da Eleven Financial, Fernando Siqueira, o mercado aqui está sendo muito pautado pelas eleições. "As últimas notícias são meio neutras, não dá para ter uma definição, uma visão clara de quem é o vencedor", afirmou. "A semana vai ser bem volátil."
Pesquisas sobre intenção de votos para a eleição brasileira, que terá o primeiro turno no próximo domingo, seguiram mostrando um cenário acirrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Palácio do Planalto.
Na BTG/Nexus, Lula aparece com 42% e o Flávio com 37% no primeiro turno da eleição, enquanto, em um potencial segundo turno entre ambos, o petista tem 46% e o candidato do PL registra 44%, dentro da margem de empate técnico.
A Quaest, divulgada pela GloboNews, mostrou Lula e Flávio empatados com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula lidera o primeiro turno com 39% e Flávio soma 34%.
Investidores também repercutiram nesta segunda-feira anúncios realizados pelo governo Lula na última sexta-feira, incluindo a proibição das operações de apostas online no país e o Desenrola Brasil 3.0, um novo programa para ajudar pessoas endividadas.
O analista João Daronco, da Suno Research, afirmou que a semana será bastante ditada pelas pesquisas eleitorais e o cenário externo pode ajudar ou atrapalhar. Nesta sessão, observou, pesou do lado negativo, com a alta do petróleo, que apoia perspectivas piores para inflação, com efeito na curva de juros e na bolsa.
"Se não fosse a Petrobras e as petrolíferas, hoje a bolsa estaria caindo ainda mais", afirmou. O índice Small Caps, que não tem as ações da Petrobras em sua composição, fechou em queda de 1,2%.
No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 0,92%, a US$105,28, afastando-se das máximas do dia, quando saltou a US$108,83 o barril, em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Em um contexto de preocupações com a inflação e os próximos passos do Federal Reserve, os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano avançavam a 5,2319% no final do dia , de 5,181% na sexta-feira. Em Nova York, o índice acionário S&P 500 fechou em baixa de 0,77%.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN subiu 1,52% e PETROBRAS ON avançou 1,83%, em pregão positivo para petrolíferas na bolsa, acompanhando o movimento do petróleo no exterior. A exportação de petróleo do Brasil somou até a quarta semana de setembro 10,1 milhões de toneladas, caminhando para bater um recorde histórico mensal que durava mais de três anos, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta segunda-feira.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1%, seguindo o viés mais negativo na bolsa como um todo, com investidores também avaliando o impacto do Desenrola Brasil 3.0 no setor. BRADESCO PN recuou 1,23%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 0,46% e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,2%. NU, que é listada em Nova York, caiu 10%, tendo ainda no radar notícia de que a instituição está em conversas preliminares para adquirir um banco digital britânico.
• VALE ON subiu 0,55%, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro na China.
• AZZAS 2154 ON perdeu 5,25%, devolvendo parte da alta de quase 13% na sexta-feira. Investidores seguem especulando sobre potenciais reflexos da reorganização societária anunciada no começo do mês, bem como de eventual transação que envolva a unidade FARM Rio.
• ULTRAPAR ON avançou 2,13%, em pregão de recuperação, após duas quedas seguidas, quando acumulou declínio de 6,4%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)