CVM contratará 1.200 funcionários nos próximos quatro anos, diz presidente da autarquia

Segundo Otto Lobo, nova estrutura será direcionada para garantir supervisão mais robusta e apoiar transformação do mercado de capitais

8 out 2026 - 10h54
Resumo
O presidente da CVM, Otto Lobo, anunciou a contratação de 1.200 servidores em quatro anos para fortalecer a autarquia e sua autossuficiência tecnológica. A expansão é viabilizada por decisão do STF que destina 70% da taxa de fiscalização ao órgão e atende a alertas do FMI. O plano foca na modernização do mercado de capitais de R$ 12 trilhões, abrangendo inteligência artificial e tokenização de ativos, com ênfase em transparência por meio de um grupo de trabalho com atas públicas.

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, afirmou nesta quinta-feira, 8, que a autarquia terá reforço expressivo de pessoal e estrutura nos próximos anos, com a contratação de 1.200 novos funcionários em um horizonte de quatro anos. A declaração foi feita durante o evento "Grupo de Trabalho de Tokenização: Encontro com o Mercado", realizado na manhã desta quarta na sede paulista da Fundação Getulio Vargas (FGV), com a presença de superintendentes da casa, representantes do mercado e convidados.

Segundo Lobo, o aumento do quadro faz parte de um movimento mais amplo para consolidar a CVM como "regulador forte" no mercado de capitais brasileiro, com capacidade própria de supervisão e desenvolvimento tecnológico.

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"A CVM tem que ter os seus próprios sistemas", disse, ao defender que a autarquia avance em autossuficiência em tecnologia, pessoal e ferramentas de fiscalização, sem abrir mão da cooperação com autorreguladores.

O presidente da CVM, Otto Lobo
O presidente da CVM, Otto Lobo
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / Estadão

O presidente vinculou a expansão de recursos a mudanças recentes no orçamento do órgão, citando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que 70% da taxa de fiscalização seja destinada ao orçamento da CVM. Ele também mencionou avaliações e recomendações de organismos internacionais. De acordo com Lobo, relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) após meses de análise do sistema financeiro brasileiro apontou a necessidade de fortalecimento do regulador.

No evento, Lobo contextualizou o reforço de estrutura dentro da agenda de inovação regulatória e modernização do mercado, com foco em inteligência artificial e tokenização de ativos. Ele destacou a criação, há cerca de 80 dias, do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT), instituído por portaria assinada pela presidência e composto por 14 superintendentes. O objetivo, afirmou, é promover debates públicos, dialogar com participantes do mercado e reguladores e receber sugestões e contribuições técnicas.

Lobo ressaltou ainda medidas de transparência associadas ao funcionamento do GTT. Segundo ele, pela primeira vez na história da autarquia, cada reunião do grupo é encerrada com ata e os registros foram disponibilizados no site da CVM, de forma a permitir rastreabilidade e auditoria do processo. "Tudo o que nós estamos fazendo será sempre auditável", afirmou.

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Ao defender a ampliação do quadro e o investimento em capacidades internas, Lobo afirmou que a nova estrutura será direcionada para garantir supervisão mais robusta e apoiar a transformação do mercado de capitais, que ele descreveu como um dos maiores do mundo, na casa de R$ 12 trilhões. "Esses recursos serão utilizados", disse, mencionando também iniciativas de aproximação com institutos de pesquisa e tecnologia no Brasil e ações para atrair jovens talentos para a futura CVM.

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