O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, refutou tentativas de trazer para os bancos a responsabilização pela fraude da Americanas. "Como os bancos poderiam ser coniventes com a Americanas se perderam bilhões?", questionou em conversa com jornalistas ao ser perguntado sobre a retomada da investigação da Polícia Federal sobre o caso.
A Polícia Federal investiga se executivos de grandes bancos atuaram de forma coordenada para ajudar a ocultar o endividamento e as fraudes contábeis da Americanas por meio de operações de risco sacado.
"Todos os demais no entorno são vítimas de uma fraude gigantesca", disse Maluhy. "Estamos diante de uma das maiores fraudes já vistas no país. O caso da Americanas é bem emblemático."
Para o executivo, é "ilógico" imaginar que os bancos foram coniventes com uma fraude em que perderam bilhões.
Mesmo que se considerem as receitas geradas nos períodos anteriores à descoberta de fraude, quando a Americanas era cliente dos bancos, as perdas superam esses ganhos. "Se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é supernegativo."
Os bancos, ressaltou Maluhy, não tinham visibilidade sobre as fraudes. O que se discutia era se a Americanas classificava as operações entre endividamento bancário ou endividamento de fornecedor. "Ninguém imaginava no sistema que eles estavam ocultando o passivo."
"Refutamos qualquer afirmação nesse sentido, de trazer qualquer banco do sistema financeiro para essa discussão", disse sobre as novas investigações. "A responsabilidade pela contabilidade (no balanço) é da companhia."