Will Lewis, CEO e editor do The Washington Post, renunciou ao cargo, anunciou a empresa neste sábado, 7. Em um comunicado, Lewis afirmou ter tomado a difícil decisão "para garantir o futuro sustentável do The Post". Seu e-mail de despedida, bastante conciso, agradeceu apenas a Jeff Bezos, proprietário do The Post, sem mencionar nenhum jornalista.
Lewis renunciou dias depois de a empresa ter realizado uma significativa rodada de demissões que cortou 30% da equipe — mais de 300 jornalistas —, provocando ampla indignação entre funcionários atuais e antigos do Post. Marty Baron, ex-editor do Post, classificou o episódio como um dos "dias mais sombrios da história de uma das maiores organizações de notícias do mundo".
Lewis será sucedido por Jeff D'Onofrio, diretor financeiro do Post.
Em um comunicado à imprensa anunciando o substituto de Lewis, Bezos disse que o Post tem "uma missão jornalística essencial e uma oportunidade extraordinária". Ele acrescentou: "Todos os dias, nossos leitores nos dão um roteiro para o sucesso". Ele não mencionou o corte de custos em sua declaração.
Lewis foi contratado por Bezos, fundador da Amazon, no início de 2024 para transformar a publicação e reverter anos de prejuízos financeiros e queda de audiência. O The Post ainda não conseguiu atingir uma lucratividade consistente, apesar de uma série de novas estratégias implementadas por Lewis, incluindo o uso de inteligência artificial; a inclusão de um novo produto de opinião chamado "Ripple"; e uma meta ambiciosa e ousada (BHAG, na sigla em inglês) de alcançar 200 milhões de assinantes pagos.
Lewis, que começou sua carreira na Grã-Bretanha como repórter, foi anteriormente CEO da Dow Jones e editor do The Wall Street Journal, cargo que deixou em 2020.
Katie Mettler, ex-presidente do sindicato do Washington Post, disse: "Fico feliz que Will Lewis tenha sido demitido. Gostaria que isso tivesse acontecido antes que ele demitisse todos os meus amigos."
O The Washington Post vem perdendo assinantes, em parte, devido a decisões atribuídas a Bezos, como a retirada do apoio à democrata Kamala Harris durante a eleição presidencial de 2024, disputada contra o republicano Donald Trump, e a adoção de uma linha mais conservadora nas páginas de opinião, tradicionalmente de inclinação liberal.
Por ser uma empresa privada, o Post não divulga o número de assinantes, mas estima-se que a base seja de cerca de 2 milhões. O jornal também não divulga dados financeiros. / COM INFORMAÇÕES DO THE NEW YORK TIMES E DA AP