CEO da Nestlé diz que conflito no Oriente Médio provoca inflação e eleva custos de fornecedores

10 set 2026 - 09h19
Resumo
O CEO da Nestlé afirmou que o conflito no Oriente Médio eleva os custos de insumos, frete e energia dos fornecedores, gerando pressões inflacionárias. Embora o impacto direto nas vendas seja pequeno, a companhia planeja repassar custos via alta de preços, reformular produtos e cortar itens de menor adesão. A empresa também reestrutura seu portfólio, focando em marcas centrais e possíveis aquisições estratégicas, além de acompanhar discussões globais sobre alertas nutricionais em rótulos.

A Nestlé está ‌aumentando os preços, reformulando produtos e eliminando itens pelos quais os consumidores não estão dispostos a pagar mais como forma de lidar com os efeitos do aumento dos custos de energia, frete e matérias-primas após o conflito no Oriente Médio, disse o presidente-executivo da companhia, Philipp Navratil.

Logotipo da Nestlé, Ecublens, nas proximidades de Lausanne, na Suíça
 18 de abril de 2024
REUTERS/Denis Balibouse
Logotipo da Nestlé, Ecublens, nas proximidades de Lausanne, na Suíça 18 de abril de 2024 REUTERS/Denis Balibouse
Foto: Reuters

Embora a maior fabricante mundial de alimentos ⁠embalados tenha sentido pouco impacto direto nas vendas devido à guerra entre EUA ‌e Israel contra o Irã, que já dura seis meses, o executivo afirmou que o conflito está contribuindo para as pressões inflacionárias enfrentadas pelos fornecedores.

Publicidade

"Todos os ‌nossos fornecedores terão algum aumento de custos", disse ‌Navratil à Reuters na quarta-feira. "Alguns desses (custos) virão até nós e teremos que ⁠mitigá-los, garantindo que os consumidores acompanhem caso tenhamos que aumentar preços."

Além de elevar preços, a Nestlé está reformulando produtos, buscando "incansavelmente" economia de custos e eliminando produtos pelos quais os consumidores "não estão dispostos a pagar", disse Navratil, sem dar detalhes.

O Oriente Médio representa cerca de 2% a 3% do faturamento total da empresa suíça, que ‌gira em torno de 90 bilhões de francos suíços (US$111 bilhões), o que significa que ‌o impacto direto nas ⁠vendas foi limitado.

"Mas haverá ⁠efeitos primários em termos de inflação no que compramos, em termos de custos de insumos", ⁠disse.

Publicidade

A Organização das Nações Unidas para a ‌Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou ‌que o mundo pode estar caminhando para mais um período de inflação alimentar.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais de uma cesta de produtos alimentícios comercializados internacionalmente, registrou uma média de ⁠131,1 pontos em julho, acima dos 130,3 pontos de junho e o nível mais alto desde janeiro de 2023.

A Nestlé, que possui mais de 2.000 marcas, incluindo Nescafé, Maggi e KitKat, vendeu recentemente uma participação em seu negócio de água engarrafada e também está deixando o ‌negócio de vitaminas.

Mas Navratil, que foi incumbido de simplificar o foco da empresa em suas marcas principais, também afirmou que a Nestlé também pode adquirir marcas, ⁠uma vez que a empresa revisa seu portfólio periodicamente.

Publicidade

"Isso não significa que a Nestlé esteja apenas se desfazendo de ativos. Como sempre, estamos abertos a adquirir empresas que sejam estrategicamente importantes", disse, sem dar detalhes.

Em outro tópico, Navratil afirmou que os fabricantes de alimentos deveriam participar das discussões sobre a proposta de inclusão de advertências sobre açúcar, sal e gordura na parte frontal das embalagens na Índia.

A Reuters noticiou em agosto que empresas estavam fazendo lobby contra esses avisos, de acordo com documentos e registros analisados.

Navratil afirmou que a Nestlé já removeu milhares de toneladas de açúcar, sal e gordura de seus produtos, mas argumentou que a rotulagem precisa ser feita da maneira correta e deve refletir o tamanho das porções.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações