O Banco Central Europeu elevou sua taxa de juros para 2,50% para conter a inflação provocada pela alta do petróleo, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. Com a resiliência econômica da zona do euro e a pressão nos preços de combustíveis e gás, o banco estima que a inflação seguirá acima da meta de 2% até 2028. Apesar do aumento de projeções econômicas pelo mercado, a presidente Christine Lagarde evitou indicar os próximos passos da instituição para a estabilidade de preços.
O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros na quinta-feira pela segunda vez neste ano, buscando conter um aumento da inflação impulsionado pelos preços da energia devido à guerra no Irã e alertando que os preços dos combustíveis podem subir ainda mais.
Um mês de relativa calma chegou ao fim no final de agosto com os Estados Unidos e o Irã atingindo alvos militares, de transporte marítimo e do setor energético. Isso fez com que os preços do petróleo voltassem a ficar acima de US$100 o barril e reacendeu os temores quanto a uma onda de aumentos de preços na zona do euro, que importa combustíveis.
O BCE respondeu elevando sua taxa de depósito de 2,25% para 2,50%. O banco reconheceu que, mesmo assim, a inflação deve permanecer acima de sua meta de 2% até 2028, em parte porque a atividade na economia em geral vem se mostrando resiliente.
A decisão e o comunicado do BCE levaram operadores a aumentar as apostas em novas altas, precificando mais 60 pontos-base de aumentos até a reunião de abril de 2027, ante cerca de 51 pontos anteriormente.
Como de costume, a presidente do BCE, Christine Lagarde, enfatizou que o banco não se comprometeu antecipadamente com quaisquer movimentos futuros.
"Não debatemos de forma alguma qualquer tipo de trajetória futura", disse ela em uma coletiva de imprensa. "Os mercados fazem o que têm que fazer e nós fazemos o que temos que fazer — que é garantir a estabilidade de preços."
Antes da reunião, economistas afirmaram que a medida desta quinta-feira provavelmente seria a última do BCE por enquanto, embora um número crescente deles visse o risco de que um aperto monetário adicional possa agora ser necessário.
"Mais importante do que a medida em si é o fato de o BCE ter usado esta reunião para reconhecer uma economia mais forte e uma perspectiva de inflação mais persistente do que esperava há apenas alguns meses", disse o economista Felix Feather, da Aberdeen.
EXPECTATIVAS
O banco central dos 21 países que compartilham o euro também elevou algumas de suas projeções de crescimento e inflação, refletindo a resiliência maior do que o esperado da economia e o efeito dos custos mais altos dos combustíveis sobre outros preços.
O BCE agora prevê uma inflação de 3,0% neste ano, 2,5% no próximo ano e 2,1% em 2028 - um aumento de 20 pontos-base na previsão para 2027 e de 10 pontos para o valor de 2028.
No entanto, é improvável que as previsões divulgadas nesta quinta-feira capturem totalmente o mais recente aumento nos preços da energia, particularmente do gás natural, do qual muitos países europeus dependem para aquecimento.
Lagarde reconheceu explicitamente que os preços do gás podem subir devido a novas interrupções no abastecimento ou a um inverno excepcionalmente frio, combinado com baixos níveis de estoque em grande parte da região.
"Acreditamos que a inflação será mais duradoura do que havíamos previsto", disse ela.
Lagarde e seus pares, reunidos em Berlim para sua viagem anual fora da sede do banco central em Frankfurt, devem se sentir aliviados com os dados recentes de crescimento.
A economia da zona do euro tem se mantido melhor do que o previsto, apesar dos custos mais altos dos combustíveis, da concorrência da China e do impacto das secas.
O BCE agora espera que a economia da zona do euro cresça 0,9% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028.