Amil informa em comunicado a funcionários que encerrou negociação de venda da empresa

Conversas sobre o tema se arrastavam havia pelo menos seis meses; comunicado afirma que empresa continua aberta a 'propostas futuras de investimentos minoritários'

10 set 2026 - 13h40
(atualizado às 16h56)
Resumo
O empresário José Seripieri Júnior encerrou as negociações para a venda da Amil aos fundos Bain Capital e Advent, que ofereciam cerca de R$ 17 bilhões pela totalidade da empresa. As tratativas não avançaram porque os investidores exigiam o controle integral e a troca de gestão, enquanto o empresário pretendia alienar apenas uma fatia minoritária e manter o comando da operadora, que vive franca recuperação financeira e já reúne mais de 3,5 milhões de clientes no País.

O empresário José Seripieri Júnior desistiu da negociação de venda da Amil a investidores, disseram ao Estadão/Broadcast pessoas a par do assunto. A empresa divulgou nesta quinta-feira, 10, um comunicado aos funcionários, ao qual a reportagem teve acesso, em que informa ter mantido conversas com os fundos de investimentos — sem citar nomes — e que estas conversas estão encerradas.

"Continuamos abertos a propostas futuras de investimentos minoritários", diz o comunicado. O texto é assinado pelo Conselho de Administração.

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O Estadão/Broadcast apurou que a eventual venda da Amil foi novamente discutida em reunião na manhã desta quinta-feira com os investidores interessados — os fundos Bain Capital e Advent —, que ofereciam aproximadamente R$ 17 bilhões por 100% da companhia.

Amil tem sido considerada um dos principais casos de sucesso no segmento de saúde suplementar nos últimos anos
Amil tem sido considerada um dos principais casos de sucesso no segmento de saúde suplementar nos últimos anos
Foto: Amil/Divulgação / Estadão

As conversas se arrastavam havia pelo menos seis meses. O empresário vinha defendendo sua permanência no controle, a manutenção do modelo aplicado na operadora desde que a comprou da norte-americana UnitedHealth Group. O objetivo inicial era se desfazer de aproximadamente 30% da companhia, segundo pessoas a par do tema.

A posição, contudo, foi rechaçada pela Bain e Advent, que tinham seus próprios planos de colocar Irlau Machado no comando da companhia e reeditar o formato aplicado na NotreDame Intermédica, que posteriormente foi fundida com a Hapvida. A ideia era, no futuro, levar a Amil a uma possível listagem na B3.

Empresa é considerada exemplo de sucesso

A Amil tem sido considerada um dos principais casos de sucesso no segmento de saúde suplementar nos últimos anos. A empresa foi comprada por Seripieri Júnior no final de 2023 por R$ 2 bilhões e tinha outros R$ 9 bilhões em contingências. Por isso, o mercado costuma avaliar a transação em R$ 11 bilhões.

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O movimento feito pela atual gestão do grupo a recolocou no rumo do crescimento, e, desde o ano passado, a Amil é uma das empresas que mais ganha beneficiários mensalmente. De acordo com dados mais recentes, já são mais de 3,5 milhões de segurados, o que dá à companhia o posto de terceira maior operadora do País, com faturamento aproximado de R$ 30 bilhões por ano.

No comunicado enviado aos funcionários na manhã desta quinta-feira, a gestão da Amil destacou a "virada" da empresa que, em pouco mais de dois anos, saiu de uma situação crítica para "excelentes resultados financeiros", e que este sucesso chamou a atenção de grandes investidores.

"Nós conversamos com esses investidores, como é praxe no mercado, porém gostaríamos de informar a você, em primeira mão, que esse processo está encerrado, sem qualquer mudança societária na companhia. Continuamos abertos a propostas futuras de investimentos minoritários, preservados nossos princípios e valores", diz o comunicado.

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