Operadores elevam apostas em alta de juros pelo Fed após dados de inflação

10 set 2026 - 12h30
Resumo
Após o Índice de Preços ao Produtor dos EUA subir 5,4% em agosto, o mercado elevou para 70% a chance de o Federal Reserve subir os juros em 0,25 ponto na próxima semana. A pressão inflacionária, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelo setor de inteligência artificial, reforça a aposta de até duas altas até o fim do ano. A decisão final das autoridades dependerá da divulgação dos dados de inflação ao consumidor nesta sexta-feira.

Os operadores de mercado apostavam nesta quinta-feira que ‌há uma probabilidade um pouco maior de que o Federal Reserve aumente a taxa de juros em sua reunião da próxima semana, após a divulgação do primeiro dos relatórios de inflação desta semana.

Prédio do Federal Reserve em Washington, EUA,  1º de maio de 2020. REUTERS/Kevin Lamarque//Foto de arquivo
Prédio do Federal Reserve em Washington, EUA, 1º de maio de 2020. REUTERS/Kevin Lamarque//Foto de arquivo
Foto: Reuters

Os dados mostraram que os preços ao produtor nos EUA subiram 5,4% nos 12 meses até agosto, e os pedidos semanais de auxílio-desemprego no país indicaram ⁠que o mercado de trabalho permanece estável.

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Embora o aumento geral dos preços no atacado tenha ‌estado em linha com as projeções dos economistas, detalhes do Índice de Preços ao Produtor sugeriram que parte da recente desaceleração da inflação está sendo revertida, à medida ‌que as hostilidades renovadas no Oriente Médio prejudicam a ‌distribuição global de petróleo e o aumento dos investimentos em IA impulsiona a ⁠demanda por eletrônicos.

Os dados mostraram que os preços pagos pelos produtores por transporte e armazenamento dispararam em agosto, assim como os preços dos serviços hospitalares e das passagens aéreas.

Antes dos dados divulgados nesta quinta-feira, os operadores estimavam cerca de 65% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião do Fed de 15 ‌a 16 de setembro. Essa probabilidade é agora vista como mais próxima de 70%, com base ‌no preço dos contratos de ⁠juros futuros negociados ⁠no CME Group. Até o final do ano, o Fed quase certamente terá realizado um, se não ⁠dois, aumentos nas taxas de juros, segundo indicam ‌os preços de mercado.

PREÇOS AO ‌CONSUMIDOR EM DESTAQUE

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Um relatório sobre a inflação dos preços ao consumidor, previsto para a sexta-feira, completará o quadro da inflação para as autoridades do Fed, que debatem se a taxa de juros de referência está exercendo pressão suficiente sobre a inflação ⁠para levá-la à meta de 2%.

A inflação vem ficando acima da meta do Fed há 5 anos e meio. O Fed mantém sua taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro.

"Com os dados do PPI (Índice de Preços ao Produtor) ainda parecendo relativamente elevados, parece provável ‌que o Fed aumente as taxas este ano, mesmo que não tome essa decisão neste mês", escreveram analistas da Capital Economics. Quanto à possibilidade de o banco central agir ⁠na próxima semana, eles afirmaram: "isso ainda depende do número mais importante do CPI(sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor) básico, a ser divulgado amanhã".

O Fed tem como meta uma inflação de 2%, medida pela variação em 12 meses do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), um indicador que pode ser estimado assim que os dados do CPI e do PPI estiverem disponíveis. Na quinta-feira, os analistas estavam divididos quanto à possibilidade de os dados do PPI empurrarem a inflação do PCE para um patamar alto o suficiente a ponto de forçar o Fed a agir na próxima semana.

O Banco Central Europeu elevou suas taxas de juros de referência na manhã desta quinta-feira para conter a inflação decorrente da guerra no Irã, que empurrou os preços dos futuros do petróleo Brent para acima de US$100 o barril.

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