Setor de serviços do Brasil decepciona e fica estável em julho

10 set 2026 - 09h03
(atualizado às 10h26)
Resumo
O setor de serviços no Brasil decepcionou ao ficar estável em julho ante junho e subir 0,9% na comparação anual, aquém das projeções de analistas. O resultado, pressionado pela queda de 2,5% na área de informação e comunicação, reforça a desaceleração econômica gerada pelos juros restritivos a 14%. Apesar do avanço em turismo (2,7%) e transportes (0,4%), o segmento, que responde por 70% do PIB, mantém uma trajetória lateral em 2026, em meio a incertezas fiscais e eleitorais.

O volume de serviços no Brasil ficou estável em julho na comparação com junho e iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado, em mais um sinal de desaceleração da atividade econômica.

Imagem captada por drone mostra o edifício Farol Santander em São Paulo
7 de maio de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli
Imagem captada por drone mostra o edifício Farol Santander em São Paulo 7 de maio de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Em julho, o volume de serviços teve ainda avanço de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2025, de ⁠acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Os ‌resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 1,1% na base anual.

Com isso, o ‌setor de serviços está 0,2% abaixo do topo ‌da série histórica, alcançado em outubro de 2025.

"O que dá para dizer ⁠é que há uma lateralidade do setor de serviços, ele vai andando de lado desde o começo do ano. Isso está claro, mas não tem tendência de alta e baixa", disse Luiz Carlos Almeida, analista da pesquisa no IBGE.

Dados do PIB divulgados no início do mês mostraram que o setor de serviços -- que responde ‌por cerca de 70% da economia do país -- teve avanço de apenas 0,2% no ‌segundo trimestre, após alta ⁠de 0,4% no primeiro, ⁠enquanto o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%.

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O mercado ⁠de trabalho aquecido e medidas do governo ‌estimulam o consumo, mas a ‌política monetária ainda restritiva vem pesando sobre a atividade. A taxa básica de juros Selic está atualmente em 14,0%.

"Os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. Na nossa ⁠visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

O segundo semestre ainda deverá ser marcado pelas incertezas em relação às eleições presidenciais, em outubro.

Os dados do ‌IBGE mostram que, no mês de julho, a atividade de informação e comunicação foi a única a registrar recuo sobre o mês anterior, de 2,5%, devolvendo ⁠parte do crescimento acumulado entre abril e junho (3,3%).

Almeida disse que a queda desse segmento, que ganhou peso na economia desde a pandemia, foi determinante para a estabilidade de serviços no mês. O setor representa quase um quarto da pesquisa mensal de serviços, segundo o IBGE.

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"Essa queda não parece ser uma tendência, parece mais uma acomodação do setor de comunicação e informação", afirmou.

Por outro lado, apresentaram avanços as atividades de transportes (0,4%), profissionais, administrativos e complementares (0,6%), outros serviços (0,7%) e serviços prestados às famílias (0,5%).

O índice de atividades turísticas, por sua vez, apresentou expansão de 2,7% em julho frente ao mês anterior, recuperando parte da perda de 4,0% observada entre maio e junho. O índice está 3,8% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

(Edição de Isabel Versiani)

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