Cenário aponta para queda de preços e petróleo deve terminar ano a US$ 70 o barril, diz Magda

Segundo presidente da Petrobras, isenção de tributos como PIS/Cofins pode ser suficiente para evitar aumento direto nos preços ao consumidor

28 abr 2026 - 15h13

RIO - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, avaliou que os efeitos da guerra iniciada em 28 de fevereiro não devem desaparecer rapidamente, mesmo que haja esforços imediatos para encerrar o conflito. A executiva destacou que o cenário projetado pela Petrobras aponta para queda nos preços do petróleo e de seus derivados, com o barril em torno de US$ 70 ao final do ano.

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"A gente se prepara para o preço baixo. Nossos projetos têm que ser resilientes a preço baixo. Temos que ser capazes de lidar com isso", afirmou a jornalistas durante evento na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Ao ser questionada sobre a paridade de importação (PPI), a executiva destacou que todos os cenários em termos de preço são construídos pela Petrobras para evitar a volatilidade internacional no ambiente doméstico.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Estadão

"Se você me perguntar se estamos pressionados pela paridade internacional, nós não estamos pressionados pelo preço", destacou.

Desde maio de 2023, a Petrobras abandonou o PPI e passou a praticar uma estratégia de comercialização que leva em conta o maior preço que o cliente aceita pagar e o menor preço que a Petrobras aceita receber.

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Ajuste na gasolina

Magda afirmou que a eventual aprovação do projeto de lei que permite o uso de receitas extraordinárias com petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis abre margem para reajustes de preços pela Petrobras. Ela pontuou, contudo, que a isenção de tributos como PIS/Cofins pode ser suficiente para evitar um aumento direto nos preços ao consumidor.

A desoneração abre espaço na cadeia para que produtores e importadores possam elevar seus preços sem que esse aumento necessariamente chegue às distribuidoras, o que reduziria a pressão por alta na bomba, observou.

"A gente olha para o preço de paridade internacional, seguimos a tendência do preço internacional, e acreditamos que essa isenção de PIS/Cofins é suficiente para nós em termos de resposta ao nosso investidor, dentre os quais os públicos privados", afirmou.

Questionada se a medida, na prática, cria margem para reajuste, Chambriard reiterou que a possibilidade de mudanças nos próximos dias depende do entendimento do Congresso Nacional.

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"Se o Congresso Nacional assim entender, sim (existe essa possibilidade de reajuste). Senão, nós vamos ter que pensar de uma outra forma. Mas eu acredito que o governo federal está empenhado e os congressistas estão empenhados em entregar valor para a sociedade. Eu acho que está todo mundo na mesma página e esse projeto vai dar certo."

Na semana passada, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar sobre o tema, mas, até o momento, nenhuma decisão foi anunciada.

Entrega em abril e maio

A presidente da Petrobras reafirmou a mensagem de que a estatal não vê necessidade de importar gasolina para cumprir as entregas previstas para abril e maio. Segundo ela, a importação só seria considerada em caráter excepcional, caso algum importador deixe de atender o mercado e o governo federal solicite que a Petrobras assuma essa demanda em meio à tensão no Oriente Médio.

"Nossos compromissos de abastecimento estão plenamente cobertos pela produção nacional", afirmou.

Ela destacou a importância da política de subvenções adotada pelo governo federal. Como exemplo, citou o diesel subsidiado pelo governo federal, apontando que a medida representou um aumento de 46% no valor por litro para a Petrobras.

"Quando olhamos para a inflação, até hoje, quem mais perdeu foram os próprios Estados Unidos, seguidos pela União Europeia. Quem menos perdeu foi o Brasil. A empresa não perdeu. Então, o nosso investidor está tranquilo porque ele está com o seu valor preservado".

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Chambriard afirmou que os pagamentos da subvenção do diesel já estão sendo feitos. A estatal condicionou a adesão ao programa de subvenção de diesel à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), relacionados ao preço de referência, necessários para a operacionalização da subvenção econômica.

Ela acrescentou que parte relevante do subsídio retorna rapidamente aos cofres públicos por meio de tributos, participação nos lucros e outros repasses.

'Equívoco' em leilão

Magda afirmou que a estatal não está mais promovendo leilões de combustíveis. Segundo ela, o último certame realizado foi o de diesel. Ao comentar o leilão de GLP, a executiva reconheceu que o processo se tornou "confuso" e visto pela própria estatal como um "equívoco".

"Eu diria que foi um equívoco nosso porque o leilão que nós fizemos de diesel foi anterior à medida provisória de 12 de março. O leilão de GLP já foi um leilão a posteriori da medida provisória. Nós acabamos fazendo um leilão sem considerar uma mudança regulatória", afirmou.

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O leilão realizado pela companhia no dia 31 de março provocou a saída de Claudio Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. A companhia também anunciou a devolução aos clientes dos valores referentes à diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março.

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