PEC do fim da escala 6x1: Motta escolhe deputado de seu partido como relator na comissão especial

Presidente da Câmara quer votar proposta no plenário no final de maio; Leo Prates (BA) relatou projeto de lei sobre redução da jornada na Comissão de Trabalho e incluiu regra de transição para minimizar impacto na economia

28 abr 2026 - 16h03
(atualizado às 17h21)

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 na comissão especial, que debaterá o mérito (conteúdo) da proposta.

O parlamentar, que era do PDT e migrou para o Republicanos na janela partidária, foi relator na Comissão de Trabalho de um projeto de lei que trata da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

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Transição

Em seu parecer sobre o projeto da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), ele incluiu uma regra de transição para minimizar o impacto da mudança sobre as empresas. Segundo o relatório, a jornada cairia para 42 horas semanais a partir de 2027. No ano seguinte, iria para 40 horas.

Prates explicou que a transição permitiria que os empregadores buscassem ganhos de eficiência para absorver o aumento imediato do custo do trabalho.

"A aplicação gradativa da alteração, portanto, harmoniza o objetivo de equidade com a necessidade de eficiência econômica de longo prazo, permitindo que os empregadores ajustem seus custos fixos e variáveis", escreveu, na ocasião.

Ele também incluiu repouso semanal remunerado de, no mínimo, dois dias, preferencialmente consecutivos, e garantindo que um dos dias coincidisse com o domingo, no mínimo, uma vez a cada três semanas.

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O fim da escala 6x1 é uma bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a enviar um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema para acelerar a discussão no Congresso.

Em entrevista na qual anunciou Prates, Motta afirmou que a comissão especial deve desenvolver seu trabalho ao longo de maio e que a previsão é que o texto seja votado no final do mês no colegiado.

Ele disse ainda que vai procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para conversar sobre a tramitação da PEC, mas negou que haja qualquer compromisso da Casa vizinha de votar a PEC.

Além disso, o presidente da Câmara defendeu que a PEC trate de redução de jornada sem diminuição de salário - mas não assegurou que a proposta acabe com a escala 6x1.

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'Pensamento médio'

Após o anúncio de Motta, o relator Prates afirmou que o texto "terá o pensamento médio" da Câmara. "Fui assessor desta Casa há 20 anos, de 2003 a 2009. Sou um deputado de primeiro mandato, então, sei das minhas limitações; mas, com muita dedicação e muito trabalho, a gente conseguiu fazer com que o nosso trabalho fosse visto", disse.

Prates afirmou que quer discutir "a família do futuro" durante os trabalhos. "O que nós estamos discutindo neste momento é o novo arranjo do trabalho. Isso sempre é muito difícil de fazer, porque o novo muitas vezes assusta. Mas o que nós estamos discutindo neste momento é que tipo de família nós queremos para o futuro do nosso País", declarou.

"A partir de agora, não é que a gente esquece o passado, mas o texto será o pensamento médio desta Casa", afirmou.

O presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP), reiterou que a comissão terá o papel de apreciar a PEC até o fim de maio. O presidente da Câmara, por sua vez, afirmou que os deputados vão se "empenhar" para entregar a PEC nesse prazo.

Comissão especial

Autor da PEC que vai ser apreciada na comissão, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) disse que iria apresentar uma emenda com o teor do projeto de lei enviado pelo governo. "Vou apresentar uma emenda prevendo redução da jornada para 40 horas semanais, escala 5x2 e sem diminuição de salário, como o acordo construído no final do ano passado", afirmou.

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A PEC do petista previa que a mudança entrasse em vigor dez anos após a promulgação da proposta, mas o próprio autor avalia que não é necessário um período tão longo, até por já terem se passado sete anos desde protocolou a proposta.

Outro tema que deve ser debatido é uma forma de compensação a empresários para minimizar o impacto. A medida é defendida por alguns parlamentares, como Lucas Redecker (PSD-RS), de oposição.

"Se nós diminuirmos a escala da 6x1 para 5x2, o tempo da jornada de trabalho e mantivermos o mesmo salário, que esta é a proposta, e eu acho que isso é muito bom para o trabalhador, mas isso vai gerar um déficit para o empregador, para aquela pessoa que gera o emprego e que vai ter lá na sua ponta da sua receita uma diminuição prevista de mais ou menos 22% do seu valor agregado pelo custo do empregado", argumentou. "Esses 22% vão cair na conta de quem?"

Além de compensação, a oposição vai tentar incluir no debate a discussão sobre hora trabalhada, conforme estabelecida em uma PEC do deputado Mauricio Marcon (PL-RS). Para ele, a PEC que acaba com a escala 6x1 e estabelece a 5x2 engessa a questão trabalhista.

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"A gente está dizendo para o trabalhador que ele é, teoricamente, obrigado a trabalhar cinco dias por semana. E tem gente que quer trabalhar duas, três dias, duas horas. Então, a gente trazendo a hora trabalhada, a gente flexibiliza isso também", diz.

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